Eu já estava saindo para um jantar aqui no Cosme Velho quando um contato me ligou com essa informação, e eu precisei parar um segundo para processar o tamanho da cena: dois milhões de pessoas na areia de Copacabana esperando, e o motivo do atraso sendo um senhor de 94 anos que passou mal antes da filha subir ao palco.
William Mebarak Chadid, pai de Shakira, é escritor libanês radicado em Barranquilla, na Colômbia, e enfrenta sérios problemas de saúde desde 2022. O histórico é pesado: hemorragia cerebral, duas passagens pelo Covid-19, diversas cirurgias e uma queda recente. Foi ele quem primeiro acreditou no talento da filha e atuou como seu empresário nos primeiros anos de carreira, sendo parte direta da construção de tudo que Shakira se tornou. Com esse contexto, qualquer sinal de alarme com a saúde dele tem um peso enorme para ela.
A situação foi compartilhada pouco antes do show. Shakira não se pronunciou publicamente sobre o que aconteceu, e também não foi divulgado o estado de saúde atual do pai. O que se sabe é que ela conseguiu se recuperar e subiu ao palco. A primeira frase que disse ao público foi “Estou aqui, Brasil!”, numa referência direta a “Estoy Aquí”, o hit que a colocou no mapa mundial. Dois milhões de pessoas responderam de volta.
O show teve participações de Anitta, que cantou “Choka Choka” ao vivo com a colombiana pela primeira vez, além de Caetano Veloso em “Leãozinho” e Maria Bethânia em “O que é O que é”, de Gonzaguinha. A imagem de Shakira cantando MPB com dois pilares da música brasileira, na areia de Copacabana, para dois milhões de pessoas, depois de uma noite que começou com um susto familiar sério, tem uma qualidade cinematográfica que nenhum roteirista inventaria.
Ela subiu ao palco, entregou o show e não disse uma palavra sobre o que aconteceu antes. Às vezes a postura fala mais alto que qualquer comunicado.