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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Shakira ganha tropa em Copacabana por vaga no Hall da Fama

Os fãs saíram do sofá, foram para a areia e transformaram votação em missão internacional com calor carioca, faixas e devoção de estádio. E eu adoro fã que entende que amor pop também se organiza.

Kátia Flávia

24/03/2026 1h20

fãclube shakira ação rock & roll hall of fame (1)

Desde que foi indicada ao prestigioso Rock & Roll Hall of Fame 2026, Shakira vem recebendo votos de todos os cantos do mundo.

Eu estava aqui, meio distraída na Europa , pensando na vida e nos pecados da cultura pop, quando me aparece uma cena muito brasileira e muito boa, fãs de Shakira em plena Copacabana fazendo campanha para botar a colombiana no Rock & Roll Hall of Fame. A imagem já vem pronta, sol, calçadão, cartaz, entusiasmo e aquela sensação deliciosa de que o fandom latino, quando resolve trabalhar, entrega mais do que muito gabinete de marketing. Tem gente que tira foto com ídolo. Esse povo foi para a praia tentar empurrar a diva para a história.

O fato é bem claro. Desde que foi indicada ao Rock & Roll Hall of Fame 2026, Shakira passou a mobilizar votos no mundo todo, e os fãs brasileiros decidiram entrar no jogo com ação física na praia de Copacabana para incentivar a votação popular. A campanha quer ajudar a cantora a se tornar a primeira colombiana a receber a honraria, o que já dá à história um peso simbólico bonito e bem grande. Segundo o material, o encontro reuniu admiradores para divulgar a votação, engajar cariocas e produzir conteúdo em torno da candidatura.

E aqui entra aquela parte que me interessa muito, o comportamento digital que escapa do celular e põe o pé na rua. O fã-clube entendeu que hoje não basta votar quietinho e postar coração no story. Tem que fazer barulho, gerar imagem, virar assunto, criar sensação de movimento. A areia de Copacabana virou extensão do feed, com cara de evento espontâneo e lógica de campanha bem desenhada. É fandom com estratégia, meu amor, um negócio meio relações públicas, meio romaria pop, meio comitê eleitoral de glitter.

Tem ainda um detalhe saboroso nessa história toda. Shakira foi indicada por sua inspiração roqueira, pela carreira longa e pela força simbólica para mulheres latinas, e quem veio endossar a candidatura foi Nile Rodgers, que falou dela como artista especial e compositora de primeira linha. Isso ajuda muito porque tira a conversa do terreno da torcida pura e coloca um selo de prestígio na jogada. Aí o fã-clube cresce em cima disso como quem diz, “licença, a nossa diva rebola, compõe, vende horrores e ainda merece cadeira na história da música”. Está corretíssimo.

Eu gosto especialmente dessa cena porque ela desmonta aquela ideia preguiçosa de que fã só sabe gritar, pedir foto e brigar na internet. Às vezes sabe também organizar campanha, ocupar espaço público e transformar admiração em ação coordenada com data, pauta e meta. É uma aula pop de mobilização afetiva, com cheiro de protetor solar e ambição internacional. E tem um charme extra no fato de isso acontecer no Rio, onde todo gesto já nasce com vontade de espetáculo.

Agora, sejamos francos entre nós. Se Shakira realmente entrar para o Hall da Fama como a primeira colombiana, vai ter um pedacinho dessa faixa estendida em Copacabana colado no troféu, nem que seja só na imaginação delirante dos fãs, que aliás costuma estar certíssima. Eu respeito profundamente esse tipo de devoção que sabe bater palma, votar e fazer campanha. Fã latino, quando acorda disposto, vira quase uma ONU com playlist.

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