Feriado de Primeiro de Maio e eu aqui no Cosme Velho com o telefone colado na orelha desde o café da manhã, tentando articular o impossível: um almoço aqui em casa para Shakira antes do show de amanhã. Já liguei para a assessoria dela, para dois contatos que trabalham com a Riotur e para uma amiga que tem uma amiga que conhece alguém da produção. Por enquanto, a colombiana não confirmou, mas eu tampouco desisti. Enquanto aguardo retorno, fui fuçando o efeito real que essa mulher está causando na cidade.
A contradição é de dar inveja em qualquer roteirista de novela. No Saara, os lojistas relatam que a procura por produtos da Shakira está mais morna do que foi com Lady Gaga, que no ano passado levou fãs a formarem fila nas calçadas por leques e camisetas. Os itens à venda por aí vão de R$ 36 a R$ 90, e o movimento, segundo reportagem do Gshow, não está exatamente empolgante. Mas os números oficiais da Prefeitura do Rio contam uma história completamente diferente, e bem mais interessante para o caixa da cidade.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, em parceria com a Riotur, projeta impacto de R$ 776,2 milhões para a economia carioca. Para entender o tamanho disso: Madonna movimentou R$ 469 milhões em 2024, e Gaga chegou a R$ 592 milhões em 2025. Se a conta fechar, Shakira vira a rainha do impacto financeiro em Copacabana, superando duas das maiores divas do pop mundial numa tacada só.
A força dela está espalhada pela cidade, não concentrada na vitrine de loja. O estudo da prefeitura estima que 13,9% do público seja de turistas nacionais e 1,6% de estrangeiros, com gasto médio de R$ 547 e R$ 626 por dia, respectivamente. A Embratur informou que as reservas de passagens internacionais para a semana do show cresceram 80,75% em relação ao período equivalente de 2024. A Colômbia, terra natal da cantora, registrou alta de 287% nas reservas, o que significa que o orgulho latinoamericano veio junto, de mala e cuia, para Copacabana.
A “Shakiramania” não tem a mesma fotogenia de fila de loja que a Gaga teve, mas vai deixar um rastro de dinheiro pela cidade que nenhum leque de R$ 50 consegue medir. Eu já avisei ao meu contato na Riotur: se ela vier almoçar aqui amanhã, o impacto econômico vai aumentar pelo menos pelo valor de um bom peixe com risoto de limão siciliano.