Aqui em Bari, ainda de manhã cedo, minha telefone não parava. Depois de tudo que escrevi ontem sobre a morte do Oscar Schmidt, eu achei que o Brasil fosse acordar no sábado precisando de silêncio. Mas não: o Brasil acordou precisando falar do Tadeu. E eu entendo. Porque o que ele fez na sexta-feira à noite merece ser contado direito.
Horas depois de perder o irmão mais velho, o maior ídolo da vida, Tadeu Schmidt colocou o terno, foi ao estúdio e apresentou o BBB 26 normalmente. Antes de entrar ao vivo, ele publicou um vídeo nas redes explicando a decisão com uma clareza que cortou o coração de todo mundo: faltar ao programa seria, nas palavras dele, uma afronta à memória do irmão. E mais: ao acordar, ele conta que ouviu dentro de si a própria voz de Oscar dizendo “não se atreva a não ir trabalhar hoje”. Levantou, se vestiu e foi.
O vídeo virou o assunto mais comentado do Brasil na noite de sexta. Gente do esporte, da televisão, jornalistas, anônimos, todo mundo parou para assistir e compartilhar. Tadeu aparece visivelmente abalado, mas sem titubear uma vez sequer na decisão. A repercussão foi imediata e unânime de um jeito que a internet raramente é: comoção sem disputa, sem lado, sem cancelamento.
O que Tadeu fez tem um nome simples: ele transformou o luto em linguagem de amor. Oscar Schmidt era um homem que nunca abandonou a quadra enquanto tinha condições de jogar. Apresentar o BBB naquela noite foi a única forma que Tadeu encontrou de dizer, em público e ao vivo, que aprendeu a lição. Não é gesto pequeno. É o tipo de coisa que uma vida inteira de convivência com um irmão como Oscar ensina.
E olha, eu que já vi muita coisa por aí, muita performance de luto, muita lágrima calculada para câmera, posso dizer: o Tadeu não estava performando nada. Estava apenas sendo fiel ao homem que o criou como referência. Oscar Schmidt recusou a NBA para defender o Brasil. O mínimo que o irmão podia fazer era recusar o sofá para defender o programa. A genética do compromisso não mente.