Agora eu vou contar isso com perfume francês, porque Selton Mello acordou decidido a virar aquele brasileiro que todo europeu respeita em silêncio e aplaude com culpa. O moço anunciou um novo projeto internacional chamado I Don’t Even Know Who I Was, título dramático que já entrega crise existencial, sofrimento bonito e close em olhar perdido.
O filme foi rodado em Paris, em 35mm, porque Selton não está nessa fase digital básica. Ele quer grão, textura, cinema que dá trabalho de explicar. A direção é de João Paulo Miranda Maria, um desses diretores que Cannes olha torto no começo e depois abraça como se fosse cria da casa. A produção vem da francesa Les Valseurs, premiada, respeitada e com aquele ar de produtora que só entra em projeto se tiver dor emocional envolvida.
Eu achei tudo muito chique e muito sofrido, exatamente do jeito que o cinema gosta. Selton interpreta, produz e ainda fala que o projeto é uma meditação delicada sobre luto e identidade. Meditação delicada, meus amores, em francês isso vira aplauso em pé. Em português vira texto longo e gente dizendo que não entendeu.
Segundo ele próprio, o encontro em Paris foi decisivo, quase um romance artístico. Selton fala como quem encontrou o amor da vida num café escondido e resolveu fazer um filme para justificar o sentimento. João Paulo Miranda Maria aparece como aquele diretor intenso que fala pouco, filma muito e deixa todo mundo reflexivo no final.
A Les Valseurs, claro, elogiou Selton como ator e cineasta, porque quando o brasileiro chega educado, talentoso e com currículo, a Europa abre a porta e ainda oferece vinho. Eles dizem que o projeto vai na contramão da era saturada de imagens digitais. Tradução da Kátia. Filme para quem gosta de cinema que dói, cansa e faz pensar.
Selton, que já passou por Oscar, Hollywood e agora ensaia espanhol em projetos futuros, segue firme nesse caminho internacional que mistura prestígio, risco e aquela vontade deliciosa de provar que ele não está ali para agradar, está ali para marcar território.
Eu, claro, já estou fingindo que vi o filme inteiro só para comentar em mesa de bar. Porque quando Selton Mello decide virar autor cult em Paris, não é só um projeto. É um posicionamento. E posicionamento, meus amores, sempre rende bons closes.