Na sabatina do Jornal Nacional, Renata Vasconcellos afirmou que a dívida pública havia ultrapassado R$ 10 trilhões e atingido 82% do PIB. A apresentadora perguntou quais seriam as metas fiscais de Lula e a que percentual do PIB ele pretende levar a dívida caso seja reeleito.
Eu estava em Copacabana, já com as amigas terminando o almoço, quando o trecho começou a rodar no celular. Lula iniciou a resposta dizendo que Renata poderia ter feito a pergunta de outra forma e mencionado os superávits primários de seus dois primeiros mandatos.
“Renata, eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar essa pergunta falando diferente”, declarou. Em seguida, afirmou que foi o único presidente brasileiro a registrar superávit primário durante os oito anos de seus primeiros mandatos.

Lula disse que a dívida pública não o preocupa e relacionou sua trajetória ao baixo crescimento econômico do país e ao nível dos juros. “80% de dívida não é muito se você olhar para os Estados Unidos, olhar para o Japão, olhar para a Itália”, afirmou.
O presidente também disse que herdou, em 2023, um déficit fiscal de 2,8% e declarou esperar superávit primário de 0,1% neste ano. Foi nesse momento que afirmou: “Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”. A transcrição da entrevista registra que Renata retomou a questão e perguntou se a trajetória da dívida não o preocupava.

Eu pedi o café e vi que a conversa continuou no campo técnico. O Tesouro Nacional informou na quarta-feira (27) que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho. No acumulado de 2026, contudo, o resultado ainda era deficitário em R$ 81,3 bilhões.
A meta fiscal de 2026 prevê superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB, com intervalo de tolerância que admite resultado de até zero. Lula não informou, na entrevista, qual percentual da dívida em relação ao PIB pretende alcançar nos próximos quatro anos.