Régis Fernandes da Silva, o Régis Pitbull, ex-jogador de Corinthians, Vasco e Ponte Preta, vive em situação de rua há cerca de dois meses em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. Aos 49 anos, ele enfrenta dependência química, dívidas e a perda do apartamento onde morava.
Eu estava escolhendo flores na Cobal do Humaitá quando li a reportagem do GE a vontade de comentar com deboche simplesmente sumiu. Régis foi um nome conhecido do futebol, passou por clubes no Brasil, Japão, Turquia e Coreia do Sul, teve carro, estabilidade e histórias de churrascaria em que nem o deixavam pagar a conta. Agora, vive sob lonas, cobertores e papelão numa praça do bairro onde cresceu.

A rua virou a última alternativa depois de temporadas morando de favor com amigos e familiares. O apartamento próprio entrou em ação judicial por dívidas de condomínio e IPTU. Régis deixou o imóvel após ser preso, em 2025, por agredir o síndico, episódio que também resultou em medida protetiva.
A rotina dele hoje inclui pedir café com muitas colheres de açúcar num restaurante próximo, onde consegue carregar o celular, usar o banheiro e, algumas vezes, receber refeições. Funcionários relataram que ele aparece diariamente e que são raros os dias em que está sóbrio. Eu devolvi uma flor para o balde, porque tem notícia que faz até a escolha entre lírio e margarida perder completamente a importância.
Régis convive com a dependência química desde os primeiros anos como jogador. Ele chegou a sofrer duas suspensões por doping relacionado ao uso de maconha e passou por internação para reabilitação em 2022, mas teve uma recaída menos de um mês após deixar o tratamento. Hoje, ele rejeita nova internação e diz que precisa de trabalho para reorganizar a própria vida.

O ex-atacante mantém uma bicicleta azul para circular por Pirituba, visitar conhecidos e comprar drogas. Torcedores do Corinthians já foram até a praça conversar com ele e oferecer ajuda, mas familiares e amigos ouvidos pelo GE apontam que a dificuldade de aceitar tratamento é o maior obstáculo para uma recuperação.
Régis completa 50 anos em 22 de setembro e disse que gostaria de reunir amigos, embora admita não encontrar motivos para celebrar a fase atual. “Não quero que ninguém saiba que eu existo. Se acharem que estou morto, é melhor. Não sou um coitadinho”, afirmou. Saí da Cobal com as flores na mão e uma sensação muito menos leve: dependência não apaga a história de ninguém, mas pode deixar uma pessoa perigosamente sozinha dentro dela.