Minha gente, eu já estava no aeroporto de Lisboa, pronta para embarcar num avião com destino a Madrid, quando apareceu no meu celular a produção de Schynaider Moura para o Baile da Sephora. PAREI. Ampliei a imagem. Li a ficha técnica. Voltei para o vestido. Minha Nossa Senhora dos Cílios Postiços, que aparição é essa? A mulher resolveu incorporar uma ninfa que perdeu a paciência com os contos de fadas e decidiu frequentar festas de gente poderosa! E eu aqui, preocupada em saber se enfiei o carregador na mala.
Schynaider escolheu um vestido preto longo, com corset, renda e transparências, assinado pela brasileira Penha Maia. A proposta? Romantismo sombrio. Eu, que sou uma fofoqueira de quinta categoria com especialização em observar roupa alheia, fiquei particularmente interessada nessa mistura de delicadeza com dramaticidade. Parece figurino de uma personagem que entra no último capítulo da novela para revelar que é dona da herança inteira. E ainda sai sem explicar nada.

Agora, prestem atenção no trabalho de Caio Sobral, responsável pela direção criativa, edição de moda e styling. A inspiração foi uma ninfa, figura associada à mitologia, mas aqui apresentada numa versão obscura e misteriosa. Nada daquela criatura etérea que aparece entre flores para conversar com passarinhos. Essa ninfa, minhas filhas, parece que tem advogado, senha de camarote e um segredo de família guardado há três gerações.
A própria Schynaider explicou a intenção por trás da escolha: “Quis trazer uma feminilidade que mistura delicadeza, força e mistério”. E completou que a ideia era criar uma personagem entre o universo romântico e o sombrio. Eu adoro quando a moda resolve contar uma história. Principalmente quando a história parece ter uma vilã milionária, uma mansão interditada e um testamento desaparecido. Tudo isso, evidentemente, na minha cabeça de noveleira.
E o cabelo? Segurem minha bica portuguesa porque Everson Rocha resolveu trabalhar com quilômetros imaginários de glamour! Os fios extralongos, com ondas marcadas e movimento natural, reforçaram a inspiração mitológica. Nos olhos, esfumado intenso em tons escuros. Na pele, luminosidade. Nos lábios, neutralidade. Uma combinação calculada para deixar o vestido comandar o espetáculo sem transformar a maquiagem numa concorrente eleitoral da roupa.
A produção ainda contou com fotografias de Diego Cordeiro, assistência de moda de Deivid Moraes, sapatos Saint Laurent e joias Ara Vartanian. Reparem na escalação. É praticamente uma reunião de condomínio do luxo, só que sem ninguém discutindo a vaga da garagem.
E aqui vai minha observação de fofoqueira que também sabe reconhecer uma boa construção de imagem: Schynaider conseguiu trabalhar uma estética dramática sem abandonar a sofisticação. A renda trouxe delicadeza, o corset desenhou a silhueta e o preto assumiu o protagonismo. O resultado foi uma personagem visualmente forte, com referências de fantasia, mas perfeitamente inserida no universo da moda contemporânea.
Agora preciso embarcar para Madrid, mas fiquei pensando na injustiça da vida. Schynaider vai ao Baile da Sephora parecendo uma entidade mitológica saída de um editorial internacional. Eu vou atravessar a Península Ibérica parecendo uma testemunha que fugiu do tribunal antes de depor.

Mas uma coisa eu digo: se essa ninfa aparecer no meu caminho, entrego o celular, conto todos os meus segredos e ainda pergunto onde ela comprou o vestido.
Porque há produções que pedem aplausos. Essa pede uma trilha sonora de suspense e uma entrada triunfal no último capítulo das nove.