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Kátia Flávia
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SBT transforma Silvio Santos em moda e coloca a nostalgia à venda por R$ 99,90

Em parceria com a Loja 90, emissora lança 15 estampas com seus maiores ícones. A estratégia aposta na memória afetiva para conquistar consumidores.

Kátia Flávia

10/10/2026 12h06

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A parceira entre a Loja 90 e o SBT traz bordões, personagens e momentos que fazem parte da cultura pop brasileira para diferentes gerações (Foto: Divulgação)

Eu estava em Sintra, olhando umas lembrancinhas no centro histórico, quando apareceu no meu telemóvel uma notícia que me fez quase largar a carteira. O SBT resolveu colocar Silvio Santos à venda. Calma, criaturas! Em camisetas. E por preços a partir de R$ 99,90. A emissora fechou mais uma parceria com a Loja 90 e transformou seus bordões, personagens e programas em uma coleção de 15 estampas. O homem que passou décadas perguntando quem queria dinheiro agora virou produto de varejo. E, do ponto de vista do marketing, achei a jogada bastante esperta.

O negócio tem um detalhe delicioso. Oito das novas estampas são dedicadas a Silvio Santos. Tem o clássico “Quem quer dinheiro?”, o “Vai pra lá”, o “Ma-oê” e até a imagem do apresentador caindo no tanque de água. A coleção também recupera o Programa Livre, o Melocoton, a Disney CRUJ e a Turma da Caravana. É praticamente um guarda-roupa inteiro feito de lembranças da televisão brasileira. Falta apenas uma camiseta que venha acompanhada de um carnê do Baú da Felicidade.

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Foto: Divulgação)

Agora vamos falar de dinheiro, porque nostalgia é linda, mas boleto não aceita saudade como forma de pagamento. A Loja 90, ligada ao Canal 90, de Danilo Nogy, está explorando um território conhecido do mercado de licenciamento: transformar personagens e marcas populares em produtos que o consumidor deseja usar. O SBT entra com seu patrimônio cultural e a força de seus símbolos. A parceira transforma esse repertório em mercadoria. O comunicado não informa percentuais de royalties, metas de vendas ou faturamento previsto. Portanto, qualquer conversa sobre milhões arrecadados seria puro chute.

A operação também tem continuidade. Em setembro, SBT e Loja 90 já haviam apresentado uma coleção dedicada ao Bozo. Agora ampliam a aposta com Silvio Santos e outros personagens da emissora. Priscila Stoliar, Head de Marketing e Licenciamento do SBT, explica que a proposta é manter essas marcas atuais e presentes na vida das pessoas. Traduzindo para a língua da Faria Lima: a emissora está trabalhando para prolongar a vida comercial de um patrimônio que construiu durante décadas.

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Foto: Divulgação

E aqui está a parte que considero mais inteligente. O SBT possui algo que muitas marcas gastam fortunas tentando construir: reconhecimento espontâneo. Silvio Santos, seus bordões e programas atravessaram gerações. Uma camiseta com “Quem quer dinheiro?” já chega ao consumidor carregada de significado. O desafio comercial é descobrir quantas pessoas estão dispostas a transformar esse carinho em compra. Reconhecimento de marca ajuda a vender, mas não substitui resultado de caixa.

Danilo Nogy, criador do Canal 90 e dono da Loja 90, conta que cresceu assistindo à programação do SBT, dos desenhos do Sábado Animado ao Programa Silvio Santos. Jefferson Cândido, diretor de programas da emissora, também destaca a importância de levar essas referências para novas gerações. E eu vejo uma oportunidade interessante nessa combinação: uma marca tradicional de televisão tentando circular em outros ambientes de consumo, inclusive entre pessoas que talvez conheçam os bordões mais pelos vídeos do que pela programação original.

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Foto: Divulgação

As peças estão disponíveis em diferentes cores e tamanhos, inclusive versões para bebês. Ou seja, a emissora quer vestir a família inteira. Comercialmente, faz sentido ampliar o público potencial, embora ainda não existam dados divulgados sobre a aceitação dessa nova coleção. O risco é o de sempre nesse tipo de licenciamento: confundir carinho pela marca com disposição ilimitada para comprar produtos dela.

O SBT acertou ao perceber que seu arquivo histórico também pode funcionar como vitrine de negócios. A coleção tem personagens conhecidos, frases reconhecíveis e um parceiro especializado em nostalgia. Agora precisa provar que a memória afetiva também passa pelo caixa. Porque Silvio Santos sabia como poucos transformar atenção em dinheiro. E seus herdeiros comerciais têm um patrimônio e tanto nas mãos: até a frase “Quem quer dinheiro?” virou uma oportunidade de faturar.

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Foto: Divulgação

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