O São João do Maranhão abriu neste sábado, 6 de junho, a fase mais intensa de sua edição 2026, com a estreia simultânea do Arraial do Ipem e do Bumba Meu São João no Castelão, em São Luís. São mais de 700 atrações nos circuitos oficiais, Bruno & Marrone na abertura e o Projeto Dominguinho reunindo João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho numa noite que vai fazer muito festival de verão europeu parecer amador.
O que me impressiona nessa edição é a inteligência da curadoria. O Maranhão não abriu mão do bumba meu boi, do tambor de crioula, da cacuriá, das danças portuguesas e do coco para colocar estrela nacional no palco. Fez as duas coisas ao mesmo tempo, com 18 atrações nacionais dividindo espaço com centenas de grupos folclóricos espalhados pela Grande Ilha. Isso se chama respeito por patrimônio, e o Brasil inteiro deveria fazer anotação.

O digital já pegou fogo antes mesmo da abertura oficial. O tema deste ano, “O São João do Maranhão te abraça”, virou trending no X na quinta feira, com vídeos de ensaio de boi e quadrilha acumulando milhões de visualizações. O TikTok maranhense está num surto coletivo de orgulho regional que nenhuma campanha paga conseguiria replicar, e Ana Castela, confirmada no São João da Thay em Imperatriz, já estava sendo marcada em centenas de stories antes do anoitecer.

Eu estava tomando um café no Tortoni, em Buenos Aires, quando minha fonte do Nordeste me mandou a programação completa. Li tudo ali mesmo, entre um croissant e um cortado, pensando que o Maranhão tem um produto cultural de exportação que o Brasil ainda não sabe precificar direito.

Em 2025 a festa movimentou R$ 400 milhões e a expectativa para 2026 é superar esse número com folga. Quem ainda trata São João como festa de interior com bandeirinha de papel está vivendo em outro século. O Maranhão transformou cultura popular em economia criativa de verdade, e neste sábado abriu mais uma temporada para provar que sabe exatamente o que tem nas mãos.