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Kátia Flávia
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Santa Catarina vira hub logístico do Carnaval: importações via Porto de Itajaí crescem 71%

Levantamento da Logcomex também mostra que os portos de Pernambuco e Bahia, que sediam algumas das maiores festas do país, reduziram importações diretas em 62% e 35%, respectivamente

Kátia Flávia

04/02/2026 14h00

Levantamento da Logcomex também mostra que os portos de Pernambuco e Bahia, que sediam algumas das maiores festas do país, reduziram importações diretas em 62% e 35%, respectivamente

O mercado brasileiro de artigos carnavalescos segue em crescimento, mas os dados mostram que os estados que concentram o consumo e o impacto econômico da festa não são, necessariamente, os que realizam a maior parte das importações diretas. Essa é a principal constatação de um levantamento recente da Logcomex, empresa líder em tecnologia para o comércio exterior.
 

A análise considerou as importações brasileiras de fantasias, adereços para festas, flores artificiais, penas, lantejoulas, chapéus, tiaras e acessórios utilizados em blocos de rua, escolas de samba e carros alegóricos, no período de janeiro a novembro de 2025, em comparação com o mesmo intervalo de 2024.
 

Os dados mostram a consolidação de Santa Catarina como principal porta de entrada desses produtos no país. As importações via Porto de Itajaí cresceram 71%, passando de US$ 4,7 milhões para US$ 8,1 milhões no período analisado. Já o Porto de São Francisco do Sul também apresentou avanço, com alta de 12%, saindo de US$ 7,4 milhões para US$ 8,2 milhões.
 

Embora o estado não seja um grande consumidor final de artigos carnavalescos, Santa Catarina concentra a entrada física e a nacionalização dos insumos, que posteriormente são redistribuídos para São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões do país. O movimento reforça o papel do Sul como hub logístico nacional para o setor.
 

Já a Região Sudeste representa 43% do impacto econômico do Carnaval no país e segue como o principal centro de consumo e redistribuição. O Porto de Santos registrou estabilidade, com US$ 8,9 milhões importados no período. O Porto do Rio de Janeiro, por sua vez, apresentou crescimento de 24%, passando de US$ 5 milhões para US$ 6,2 milhões, indicando um fortalecimento da importação direta para atender tanto o complexo industrial das escolas de samba quanto o crescente Carnaval de rua fluminense.
 

“Os dados indicam uma centralização logística cada vez maior. Santa Catarina funciona como porta de entrada, enquanto os grandes centros consumidores optam por adquirir produtos já internalizados, reduzindo a complexidade das operações locais”, analisa Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex.
 

Bahia e Pernambuco: grandes festas, menor importação direta
 

O contraste fica evidente ao observar Bahia e Pernambuco, estados que sediam algumas das maiores manifestações carnavalescas do mundo. Em Pernambuco, o cenário é emblemático: Recife abriga o Galo da Madrugada, reconhecido como o maior bloco de Carnaval do mundo, reunindo milhões de foliões nas ruas.
 

Ainda assim, as importações diretas recuaram de forma significativa. As compras via Porto de Suape (PE) caíram 62%, passando de US$ 4 milhões em 2024 para US$ 1,5 milhão em 2025. Já a ALF Salvador (BA) registrou queda de 35% no mesmo período.
 

No Norte do país, as importações via Porto de Manaus recuaram 8%, passando de US$ 240,3 mil para US$ 222 mil. A dinâmica regional é fortemente influenciada pelo Festival de Parintins, cujos adornos elaborados e carros alegóricos dependem de insumos especializados. A retração pode indicar maior dependência de redistribuição nacional, com abastecimento via grandes centros logísticos do país a partir de São Paulo e Rio de Janeiro, atendendo também estados como Roraima, Rondônia e Amapá.
 

“Essa dinâmica indica que organizadores e fornecedores locais têm priorizado a compra de insumos já nacionalizados, sobretudo provenientes do Sul e do Sudeste. Com isso, a disponibilidade de produtos no varejo regional passa a depender mais dos custos de frete interno e da eficiência da malha rodoviária e da cabotagem do que das variações do frete internacional”, explica Hofstatter.
 

O movimento de centralização logística ocorre em um contexto de crescimento do próprio mercado. Entre janeiro e novembro de 2025, o valor total importado de artigos carnavalescos e insumos para festividades cresceu 10,8% em relação ao mesmo período de 2024, segundo levantamento da Logcomex. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelos “artigos para festas e carnaval”, que registraram alta de 36%, passando de US$ 12,5 milhões para US$ 17,1 milhões.
 

Outro dado relevante é o pico das importações entre setembro e novembro de 2025, indicando que a preparação para o Carnaval ocorre com meses de antecedência. O avanço de insumos estruturais, como adornos para carros alegóricos, reforça um modelo de planejamento mais robusto e centralizado.
 

Para a Hofstatter, os dados mostram que, independentemente do tamanho ou do formato da festa, o abastecimento do Carnaval brasileiro depende cada vez mais de planejamento logístico, antecipação e redistribuição nacional.
 

“O Carnaval continua crescendo, mas a forma como ele é abastecido mudou. Hoje, eficiência logística, antecipação e capacidade de redistribuição são tão importantes quanto a criatividade e a escala das festas”, conclui Hofstatter.

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