Estava aqui na Costa Amalfitana tentando entrar no ritmo da manhã quando minha fonte me jogou esse babado no ouvido e eu quase perdi o equilíbrio na varanda: Letícia Rodrigues não vai voltar para a segunda temporada de Tremembé, a série do Prime Video. E a história tem mais camada do que qualquer roteirista conseguiria inventar com prazo.
Segundo a coluna Play, do O Globo, no início de 2026 a atriz foi avisada de que a personagem Sandrão não integraria mais o núcleo principal da série. Em fevereiro, chegou um convite para participação especial. A equipe avaliou, pesou, conversou e disse não. O comunicado oficial é elegante: após reflexões sobre os rumos criativos do projeto, optaram por não seguir. Mas tem um segundo parágrafo que é o que todo mundo relê antes de comentar.
Em novembro de 2025, a pessoa real que inspirou o Sandrão deu entrevista ao Roberto Cabrini, da Record, e se assumiu como homem trans. A nota da equipe de Letícia é direta: ela é mulher cisgênero e entendeu que continuar retratando essa história neste momento seria o caminho errado. Essa frase entrou na timeline com aquele silêncio peculiar que os perfis de entretenimento produzem quando postam e já passam para o próximo assunto antes de qualquer análise aterrissar.
A saída tem duas camadas que se reforçam. A primeira é criativa, porque nenhuma atriz de respeito aceita ser rebaixada de protagonista a convidada de luxo sem ao menos fingir que avaliou. A segunda é ética, e essa vai ficar na história do streaming brasileiro: Letícia abriu mão de um papel depois que a pessoa real a quem esse papel pertence se identificou publicamente como homem trans. Não tem precedente claro nisso, e o gesto tem peso independente da opinião que cada um carrega sobre o assunto.
Tremembé 2 segue com Marina Ruy Barbosa como Suzane e Carol Garcia como Elize Matsunaga, elenco que não deixa ninguém reclamar de falta de drama. Letícia tinha contrato, tinha personagem, tinha tudo para continuar, e preferiu parar. Existe gente que chama isso de princípio e existe gente que chama de suicídio de carreira, e a diferença entre os dois geralmente depende de quem paga a conta no bar.