Eu, acordei dramática e fui atrás do babado que dói. E olha, meus amores, o assunto não é simples nem comportado. O diretor Sam Raimi pegou o megafone emocional e disse que não quer saber de Homem-Aranha 4 com Tobey Maguire. Falou com a calma de quem já chorou no banho, secou o rímel e seguiu a vida. Disse que aquela versão do herói ficou no passado e que o Peter dele já tomou outro rumo com a Mary Jane da Kirsten Dunst. Tradução livre de colunista surtada: ferida cicatrizou torta.
Eu lembro como se fosse capítulo reprise de novela das nove. Homem-Aranha 4 tinha data, contratos, pressão e aquela mão pesada de estúdio. A Sony Pictures queria manter o caixa sorrindo depois de uma trilogia que encheu cofres e criou expectativa de desfile de vilões. Roteiros iam e vinham, exigências brotavam como spoiler em grupo de WhatsApp e Raimi confessava nos bastidores que não via saída digna. Direção por planilha dá nisso, meu bem.

Aqui a Kátia puxa a cadeira e serve o café forte. Homem-Aranha 3 virou o ex tóxico da história. Raimi já contou que detestou o processo, engoliu personagem que não queria, saiu com fama de filme inflado e crítica atravessada. A lembrança ainda coça. Quando o quarto filme começou a repetir o roteiro do sofrimento, ele puxou o freio emocional e avisou que não entregaria algo em que acreditasse. Resultado? Cancelamento, reboot e a entrada de um novo Peter na festa.
O tempo passou, Hollywood aprendeu a vender saudade e a indústria virou especialista em ressuscitar franquia. Raimi ficou na dele. Passou o bastão, sorriu educado e apontou para o Peter atual do Tom Holland. Ele até voltou ao playground Marvel com Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, ajudou a bagunçar realidades e permitiu o abraço coletivo do público em Homem‑Aranha: Sem Volta Para Casa. Pontual, controlado, sem reabrir ferida antiga.
Eu vejo assim, com meu olho treinado de fofoqueira chique. A recusa não é birra nem pose de autor. É sobrevivência criativa. Raimi escolheu não assinar um filme guiado por cronograma e checklist. Em um sistema que idolatra nostalgia e cobra obediência, dizer não virou gesto de personalidade. E personalidade, meus amores, é coisa rara em Hollywood.