Eu vi Salvador mudar de eixo e não foi metáfora. Alok chega ao Circuito Barra Ondina decidido a esticar a noite por seis horas e a cidade aceita o desafio com o corpo inteiro. Dia 15 de fevereiro, a partir das 18h, o trio pipoca avança sem corda, sem abadá e com a rua virando pista oficial. O público entra porque quer, fica porque aguenta e dança porque não tem escolha.
O tema Liberte o Seu Melhor sai do release e ganha asfalto. A avenida vira um espaço aberto de celebração, com gente colada no som, celular no alto e aquela sensação coletiva de que Salvador resolveu falar com o planeta inteiro ao mesmo tempo. Alok sabe conduzir esse fluxo. Ele ocupa o espaço público com batida eletrônica e deixa a cidade responder do jeito dela.

O espetáculo cresce no encontro da cultura local com a projeção internacional. A Bahia entra no centro do jogo, o DJ puxa a narrativa e o Carnaval ganha cara de headline global. O trio avança, a multidão acompanha e o cenário vira cartão postal em movimento, desses que não cabem em recorte tímido.
Fora da avenida, existe lastro. O Instituto Alok já investiu cerca de dois milhões de reais em projetos no estado, com foco em comunidades negras e indígenas. Tem moradia, acesso à água, centro comunitário, escola quilombola fortalecida, horta comunitária, economia criativa respirando. O rastro do artista também passa por onde a câmera raramente aponta.

O alcance acompanha o tamanho do barulho. No Carnaval passado, conteúdos ligados ao artista passaram dos quarenta milhões de visualizações em Reels, somaram centenas de milhares de interações e alcançaram milhões de contas fora do Brasil. Salvador sai da rua direto para o feed internacional sem pedir tradução.
O trio ainda traz Zeeba e um pacote de marcas que entenderam a dimensão do palco. Free Fire Garena na cabeça, apoio de nomes que querem conversar com cultura, público e rua. O eco do Réveillon de Copacabana reconhecido pelo Guinness volta como selo de potência e empurra a energia direto para a Bahia.
No meu caderno de fofoca séria, a cena fica clara. DJ no comando, avenida cheia, Salvador projetada e o Carnaval lembrando ao mundo que aqui a festa se organiza no improviso e cresce no volume. Eu observo, exagero com prazer e registro. Porque essa noite promete entrar para o álbum de momentos que a cidade repete por décadas.