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Kátia Flávia
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Saiba quais relógios estão mais valorizando em 2026

F.P. Journe, Patek Philippe e referências selecionadas da Rolex registram recuperação no mercado secundário, mas especialista alerta que liquidez continua sendo o principal indicador para quem busca preservar patrimônio.

Kátia Flávia

28/07/2026 18h00

saiba quais relógios estão mais valorizando em 2026

saiba quais relógios estão mais valorizando em 2026

Após a valorização recorde observada durante a pandemia e a correção registrada nos anos seguintes, o mercado global de relógios de luxo voltou a apresentar sinais de recuperação em algumas das referências mais disputadas do mundo. Modelos de fabricantes como F.P. Journe, Patek Philippe e Rolex voltaram a despertar o interesse de colecionadores e investidores, mas especialistas alertam que esse movimento não ocorre de forma homogênea e exige uma análise muito mais ampla do que os preços anunciados em plataformas de venda.

Segundo Renan Bastos, fundador e CEO da RC Crown e especialista no mercado internacional de relógios de luxo, um dos equívocos mais comuns entre compradores é acreditar que todo relógio de alto padrão representa automaticamente um bom investimento.

“Relógio não deve ser comprado com uma promessa de retorno. Algumas peças valorizam muito, outras preservam bem o valor e muitas desvalorizam. A pessoa deve comprar, em primeiro lugar, porque gosta do relógio.”

Na avaliação do executivo, um dos principais erros nas análises sobre o setor é tratar valorização, estabilidade de preço e liquidez como se fossem conceitos equivalentes. Um relógio pode registrar forte valorização ao longo dos anos, mas ter um número restrito de compradores. Da mesma forma, uma peça que praticamente mantém seu valor pode ser negociada com rapidez em diferentes mercados internacionais.

“Um Rolex continua sendo reconhecido no Brasil, nos Estados Unidos, em Dubai, na Europa ou em Singapura. Essa liquidez internacional é uma das razões pelas quais determinadas marcas são vistas como uma forma de preservar parte do patrimônio.”

Para Renan Bastos, liquidez não significa garantia de lucro, mas sim a facilidade de transformar um ativo novamente em dinheiro sem sofrer perdas relevantes.

O especialista explica que a valorização sustentável costuma estar diretamente relacionada ao equilíbrio entre oferta e demanda. Relógios produzidos em quantidades limitadas e que continuam despertando interesse em diferentes países tendem a preservar melhor seu valor e, em alguns casos, registrar altas consistentes ao longo do tempo.

Já os movimentos impulsionados pelo hype exigem cautela.

“Muita gente comentar sobre um relógio não significa que existam compradores dispostos a pagar qualquer preço. O valor real aparece quando as transações efetivamente acontecem.”

Segundo ele, a pandemia foi um exemplo claro desse comportamento. A combinação entre oferta reduzida e demanda elevada fez determinados modelos atingirem preços históricos, mas parte dessa valorização foi corrigida quando a produção e a logística global voltaram à normalidade.

Entre os principais destaques de 2026, Renan Bastos aponta a F.P. Journe como uma das fabricantes que mais vêm chamando a atenção no mercado secundário. Conhecida pela produção extremamente limitada e pelo desenvolvimento de movimentos próprios, a marca francesa voltou a registrar forte procura entre colecionadores internacionais.

“A influência de pessoas conhecidas aumenta a visibilidade, mas a F.P. Journe possui fundamentos muito fortes. É uma marca comandada pelo próprio criador, com produção reduzida, identidade autoral e uma quantidade muito limitada de peças disponíveis.”

Na visão do executivo, esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que determinadas referências da manufatura continuam registrando valorização e demanda crescente.

Entre as grandes fabricantes, a Patek Philippe permanece como uma das principais referências do setor. Após a acomodação dos preços observada depois da pandemia, modelos da linha Nautilus voltaram a apresentar recuperação de demanda, especialmente nas configurações mais disputadas.

Para Renan Bastos, porém, a força da marca vai muito além de um único modelo.

“Na minha visão, a Patek Philippe continua sendo o santo graal entre as grandes marcas. Ela reúne história, reconhecimento mundial, capacidade técnica e um nível de prestígio construído ao longo de muitas gerações.”

Ainda assim, ele ressalta que fatores como ano de fabricação, estado de conservação, documentação e disponibilidade fazem com que duas referências da mesma coleção possam apresentar comportamentos completamente distintos no mercado.

Já a Rolex segue sendo considerada uma das marcas de maior liquidez do segmento de relógios de luxo. De acordo com o especialista, a capacidade de manter elevada demanda global mesmo produzindo em grande escala explica boa parte desse desempenho.

“A Rolex consegue produzir em escala global e ainda manter demanda superior à disponibilidade em diversos modelos. Quando uma pessoa pensa em relógio de luxo, normalmente Rolex é uma das primeiras marcas que vêm à cabeça.”

Apesar disso, Renan Bastos lembra que nem todos os modelos da fabricante suíça são negociados acima do preço oficial. Enquanto algumas referências podem ser encontradas abaixo do valor de varejo, modelos específicos, como determinados Daytona, GMT-Master II e Day-Date, continuam apresentando forte procura e recuperação de preços.

O especialista também faz um alerta sobre listas que apontam os relógios que mais valorizaram no mercado. Segundo ele, boa parte das negociações ocorre de forma privada entre dealers e colecionadores, enquanto muitos anúncios permanecem publicados mesmo após a venda das peças.

“É muito difícil afirmar qual foi o relógio que mais valorizou em todo o mercado. Existem milhares de referências e muitas transações são privadas.”

Por isso, ele afirma que compreender o comportamento de uma referência exige observar fatores como liquidez, disponibilidade, demanda e, principalmente, os preços efetivamente praticados nas negociações.

Para Renan Bastos, independentemente da recuperação observada em marcas como F.P. Journe, Patek Philippe e Rolex, a melhor estratégia para quem pretende entrar nesse mercado continua sendo fazer uma compra consciente.

“Minha recomendação é sempre comprar o relógio de que a pessoa gosta. Mas, quando ela consegue unir isso a uma referência com boa liquidez e um preço coerente, o dinheiro fica mais protegido.”

Além do preço, o especialista recomenda avaliar cuidadosamente a procedência da peça, a documentação, o histórico de manutenção, o estado de conservação e a reputação do vendedor antes de fechar qualquer negócio.

Na avaliação de Renan Bastos, o melhor investimento não é necessariamente adquirir o relógio que mais valorizou, mas encontrar uma referência sólida, comprada pelo preço correto e com potencial de preservar seu valor ao longo do tempo.

“Relógio não é ação, não paga dividendos e não possui valorização garantida. Mas, quando a pessoa compra uma boa referência, pelo preço correto e com procedência, ela pode usar, aproveitar e preservar uma parte importante do valor.”

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