Estava em Bari com rabo de cavalo, o Adriático lá do lado e uma mesa de bar que parecia cenário de filme italiano, quando o telefone vibrou com a Sabrina na tela. Atendi no segundo toque, porque quando ela liga, é porque tem coisa. A gente se conhece desde quando ela sacudia o Brasil no Faustão, e essa mulher nunca liga à toa. Era uma chamada de vídeo, ela animada, eu com primitivo na mão, e a conversa foi longa o suficiente para o gelo derreter duas vezes.
A segunda temporada de “Minha Mãe com Seu Pai”, no Globoplay, chega com uma diferença central em relação à primeira: os pais já sabem que os filhos estão por trás de tudo, e isso, segundo Sabrina, trouxe mais entrega, mais emoção e menos idealização. Na temporada anterior, os participantes chegavam ainda tentando entender o terreno. Agora chegam querendo estar ali. E tem uma novidade que ela entregou com gosto: em quatro momentos da temporada, os pais poderão bloquear o sinal dos filhos, que ficam sem ver nada do que acontece. Sabrina chamou de “modo avião”, e eu já sei que vai ser o assunto mais comentado do programa.

O digital em torno da estreia está se movendo com aquela energia de quem sabe que tem produto bom na mão. Sabrina ativou o modo “presença calculada”: posts pontuados, stories com clima de bastidor sem entregar demais, e uma entrevista em formato de conversa que chegou no meu telefone antes de chegar em qualquer redação. Quem seguiu o rastro percebeu que ela está posicionando essa temporada como algo pessoal, e os comentários de quem já viu trechos têm um tom diferente do reality comum.
A leitura que faço é a seguinte: Sabrina disse que essa temporada a atravessou de um jeito diferente porque ela também está em outro lugar emocional.

Casada, entregue, e com uma consciência sobre amor que ela não tinha antes. Ela falou que o amor depois dos 40 muda para melhor porque a gente se conhece mais e tem menos pressa, e eu ouvi isso com a seriedade de quem reconhece uma verdade dita sem roteiro. Ela não estava vendendo o programa, estava contando a vida, e o programa apareceu no meio como consequência.
Sabrina encerrou a chamada dizendo que o programa ensinou a ela que o amor não acaba, ele muda de forma. Desliguei, olhei pro Adriático e pedi mais um primitivo. Algumas frases a gente não rebate, só deixa pousar.