Eu estava lá, amores. Olho treinado, faro de escândalo ligado e taça na mão. E posso cravar sem medo de processo emocional: Sabrina Sato não foi ao Camarote Aura. Ela tomou posse. Entrou como quem assina contrato vitalício com os holofotes e deixa claro que o Carnaval ainda gira em torno do seu quadril estratégico.
A cena parecia um crossover entre passarela intergaláctica e ritual pagão de luxo. Body nude com aplicações vermelhas, recortes calculadamente indecentes e um jogo de metal pontiagudo que gritava poder. Nada ali era tímido. Nada era casual. A cabeça coroada por um headpiece dramático e o cabelo vermelho vibrante davam o recado logo na entrada: hoje não tem figurante, hoje tem protagonista.

Enquanto convidados tentavam parecer interessantes em poses ensaiadas, Sabrina caminhava com aquela tranquilidade cruel de quem não precisa disputar atenção. Ela apenas existe e o resto reage. Flash para cá, celular para lá, gente tropeçando no próprio ego para garantir uma foto ao fundo. Vi adulto respeitável virando adolescente em excursão.
O Camarote Aura virou passarela improvisada, templo pop e ponto turístico ao mesmo tempo. Sabrina distribuía sorrisos, abraços e aquela simpatia treinada no caos, mas sem perder o ar de quem sabe exatamente onde pisa. A postura era de rainha que conversa com o povo, mas não devolve a coroa nem para ajustes.

E aqui vai meu diagnóstico de boteco com diploma imaginário: Sabrina Sato é um projeto de Carnaval que nunca sai de moda. Enquanto muita gente ainda tenta entender qual personagem vestir, ela já entendeu que o segredo é virar conceito ambulante. Não desfila. Impacta. Não aparece. Marca território.