Eu já estava vivendo minha vidinha pacata, fingindo maturidade, quando o Rush resolve reaparecer no Brasil como quem manda mensagem às três da manhã dizendo “e aí, sumida?”. Resultado. Caos emocional instalado com sucesso.
A banda confirmou cinco shows por aqui em 2027, dentro da Fifty Something Tour, marcando o primeiro retorno ao país desde 2010. Dezessete anos depois, o Rush volta com aquele ar de quem sabe exatamente o estrago que causa. Não é visita casual. É celebração de 50 anos de carreira, memória afetiva em volume máximo e homenagem declarada ao eterno Neil Peart, o homem que transformou bateria em tese de doutorado.

O roteiro brasileiro começa em Curitiba, passa por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e fecha em Brasília. Arena grande, estádio cheio, fã progressivo chorando discretamente enquanto finge que está só ajustando o óculos. Tudo muito adulto, mas nem tanto.
No palco estarão Geddy Lee e Alex Lifeson, agora acompanhados da baterista Anika Nilles e do tecladista Loren Gold. Sim, eu sei. Não é o Neil. E ninguém finge que é. O show assume o luto com dignidade e transforma ausência em reverência, o que costuma render momentos ainda mais intensos.
Lá fora, a turnê já mostrou força. As datas de 2026 na América do Norte, México e Europa venderam mais de meio milhão de ingressos, obrigando a banda a ampliar o número de apresentações. Clássico caso de “o público pediu e o Rush obedeceu”, com aquele ar de quem sabe que ainda manda muito bem.

Para completar o clima de comemoração, o grupo vem recheando o calendário com lançamentos comemorativos. Teve coletânea elogiada pela Rolling Stone, vem box especial de Grace Under Pressure e aquele carinho editorial que só banda histórica recebe. Tudo alinhado, tudo calculado, tudo com cheiro de despedida elegante, embora ninguém use essa palavra em voz alta.
Pré-venda começa em fevereiro para clientes Itaú, venda geral logo depois. Eu, claro, já estou mentalmente escolhendo qual show vou comentar como se fosse especialista técnica em rock progressivo, mesmo sabendo que vou sair de lá rouca, emotiva e ligeiramente dramática.