Eu vou te dizer que o Brasil perdeu completamente a vergonha de falar baixo. Rubinho Nunes, vereador de São Paulo, resolveu entrar no debate sobre a prisão de Jair Bolsonaro com a delicadeza de um megafone em velório e chamou a medida de “sequestro”, numa fala divulgada em 14 de março. A frase veio pronta para circular, inflamar, recortar e pousar no colo da militância como quem entrega um drink forte na mesa errada. E, claro, funcionou. Palavra explosiva sempre encontra plateia no país que transformou política em ringue verbal de condomínio de luxo.
Segundo a manifestação repercutida naquele dia, Rubinho também falou em “autoritarismo irresponsável” e disse que fazem “roleta russa” com a vida de Bolsonaro. A fala foi ancorada no novo boletim médico do DF Star, publicado em 14 de março, que informou pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração, além de piora da função renal e aumento de marcadores inflamatórios, sem previsão de alta da UTI naquele momento. Eu entendo perfeitamente a estratégia. Você pega um quadro clínico grave, joga uma expressão de altíssima voltagem em cima e pronto, a discussão jurídica sai de cena enquanto o drama assume o palco principal, de preferência iluminado e com câmera fechada no rosto.
O detalhe que me chama atenção é menos a defesa de Bolsonaro e mais o repertório escolhido para fazê-la. “Sequestro” não aparece por acidente. É palavra desenhada para chocar, criar sensação de abuso extremo e empurrar o debate para um campo emocional em que nuance vira artigo de luxo. Rubinho sabe disso, a internet sabe disso e a política brasileira vive disso. Está todo mundo falando para sua bolha com a convicção de quem já entra no palco ovacionado. Enquanto isso, o país segue patinando entre boletim médico, disputa judicial e uma gritaria pública que adora uma frase de impacto e tem alergia a qualquer discussão que exija cinco minutos de sobriedade.
No fim, o fato está dado e ele é objetivo. Rubinho Nunes, vereador paulistano do União Brasil, fez a declaração no sábado, 14 de março, após a divulgação do boletim sobre o estado de saúde de Bolsonaro. O resto já entra na zona muito conhecida da política nacional, onde toda crise precisa sair maquiada para guerra e toda palavra nasce com ambição de manchete. E nisso, convenhamos, o vereador entregou exatamente o que queria, barulho.