Aos 72 anos, Roseana Sarney voltou às manchetes por causa da saúde. Em tratamento contra um câncer de mama triplo negativo, ela foi internada com pneumonia e precisou suspender a última sessão de quimioterapia. A notícia correu rápido e reacendeu um roteiro antigo que acompanha a trajetória dela há décadas, hospital entra, hospital sai, e o poder nunca fica longe.
Roseana carrega um histórico médico longo. Ao longo da vida adulta, passou por cirurgias na mama, no pulmão, no intestino e pela retirada do útero. Teve sustos sérios, internações de emergência e períodos de recuperação que coincidiram com campanhas eleitorais e disputas políticas. Mesmo assim, governou o Maranhão quatro vezes, foi senadora, ocupou cargos de liderança em Brasília e hoje segue como deputada federal enquanto enfrenta um tratamento pesado.
O câncer de mama triplo negativo acrescentou tensão real a essa biografia. É um tipo de tumor conhecido por crescer rápido, se espalhar com facilidade e ter menos opções de tratamento direcionado. Isso significa quimioterapia forte, efeitos colaterais difíceis e acompanhamento médico constante. No meio desse processo, a pneumonia apareceu como complicação e obrigou a equipe médica a mudar os planos, adiando a quimio e focando no controle da infecção antes da cirurgia prevista.
Se antes a saúde era tratada com descrição, agora Roseana fala direto com o público. Em vídeos nas redes sociais, aparece de lenço na cabeça, comenta o cansaço, as alergias, a coceira na pele causada pelos remédios e a pneumonia. Agradece mensagens, pede orações e repete que não pretende desistir. Ao expor fragilidade em tempo real, constrói a imagem de alguém que apanha muito e continua em pé, o que muda a forma como parte do público enxerga uma figura associada a um dos sobrenomes mais poderosos da política brasileira.

Esse cenário também escancara uma desigualdade difícil de ignorar. Roseana tem acesso a hospital privado, equipe completa e possibilidade de ajustar exames, sessões e cirurgias conforme a evolução do quadro. Para milhares de mulheres com o mesmo tipo de câncer, a realidade envolve filas, atrasos em biópsias e dificuldade para seguir o protocolo recomendado no sistema público. Se alguém com tantos recursos admite o peso do tratamento, fica a pergunta sobre como é essa jornada para pacientes anônimas, longe dos holofotes e sem margem de manobra.
A nova internação mexe com mais do que a agenda médica. Ela atinge um grupo familiar que há décadas influencia a política do Maranhão e mantém portas abertas em Brasília. Mesmo fragilizada, Roseana segue como peça central desse tabuleiro. Cada alta hospitalar e cada reaparecimento público funcionam como sinal de que o sobrenome Sarney continua respirando politicamente. O corpo em tratamento virou também um termômetro de poder, mostrando que, mesmo depois de tantas cirurgias, a cena ainda não foi abandonada.