Há artistas que produzem imagens. Rogério Pedro produz presença. Sua obra não pede contemplação distante, pede envolvimento. Em Pulso, exposição que marca duas décadas de carreira no Museu de Arte Contemporânea de Campinas, o artista apresenta mais do que um recorte de produção. Apresenta um modo de viver a arte como prática contínua, quase cotidiana.
O título da mostra não é metáfora vazia. Pulso é ritmo, insistência, permanência. É o gesto que se repete não por conforto, mas por convicção. Ao longo dos anos, Rogério construiu uma trajetória que atravessa design, ilustração, pintura e muralismo sem se prender a categorias rígidas. A cor, elemento central de seu trabalho, funciona como linguagem emocional e política. Ela ocupa, atravessa e transforma.

Seu olhar nasce da cidade e retorna a ela. Muros, telas, livros, objetos e espaços públicos fazem parte de um mesmo vocabulário visual. Não há hierarquia entre o que está na galeria e o que está na rua. O espaço urbano não é cenário, é matéria viva. A obra dialoga com quem passa, com quem vive, com quem habita o cotidiano muitas vezes endurecido das cidades brasileiras.
Há também um aspecto afetivo importante nessa exposição. Pulso acontece em Campinas, cidade natal do artista. Voltar ao território de origem não como nostalgia, mas como reafirmação. É um retorno consciente, que reconhece o percurso e devolve à cidade parte do que ela ajudou a formar.

A dimensão social atravessa sua trajetória de maneira consistente. Projetos desenvolvidos com instituições como o Instituto Ayrton Senna, a Fundação Síndrome de Down e a Casa da Criança de Valinhos mostram um entendimento claro da arte como ferramenta de inclusão e transformação. Não se trata de discurso, mas de ação contínua.

Como observa o curador Paulo Cheida Sans, há no trabalho de Rogério uma métrica pessoal. Um rigor que sustenta a liberdade criativa. Um domínio técnico que não engessa, mas permite deslocamentos. Sua obra muda de escala, de suporte e de contexto sem perder identidade.
Pulso revela um artista que escolheu a constância como método. Que entende a repetição como aprofundamento e a cor como forma de escuta. Em tempos de ruído excessivo, sua obra insiste em algo raro. Permanecer. Criar. Dialogar. Sem pressa, mas sem recuar.