Amadas, o rock resolveu largar a guitarra e pegar o megafone. Roger Moreira, líder do Ultraje a Rigor e presença constante no sofá do The Noite, decidiu mirar em Wagner Moura. E mirou sem pedir licença. Compartilhou um vídeo antigo do ator e resumiu tudo em uma palavra curta, grossa e barulhenta. “Babaca”.
O trecho resgatado vem de uma entrevista de Wagner ao Roda Viva, em 2021, quando Jair Bolsonaro ainda ocupava o Planalto. Na época, o ator foi provocado sobre ataques de Sérgio Camargo ao filme Marighella, dirigido por ele. Wagner respondeu seco, sem açúcar e sem paciência para o que considerava ruído. Disse que não respeitava declarações vindas daquele governo e que era preciso escolher os combates.
Corta para agora. Roger pesca esse vídeo como quem puxa uma carta marcada do baralho e joga na mesa das redes sociais. O gesto não é inocente. É provocação calculada. É replay político. É aquele momento em que alguém pega uma frase antiga, tira do contexto, sopra a poeira e transforma em arma de arremesso. No X, isso vira esporte olímpico.

A metáfora é simples e cruel. Wagner falou em escolher combates. Roger escolheu o dele, atrasado no calendário, mas pontual no efeito. Um ataca o sistema pelo cinema, o outro ataca o artista pelo teclado. Dois palcos diferentes, a mesma plateia inflamada.
E aí entra a pergunta que não quer calar, nem cochichar. Isso é crítica legítima ou só mais um capítulo da novela em que o passado vira munição? Porque ressuscitar fala antiga é como abrir álbum de família em briga de Natal. Sempre dá confusão.
No fim, não é só sobre Wagner ou Roger. É sobre como o debate público virou um ringue onde frases envelhecem mal e reaparecem piores. Kátia observa, abanando o leque. Porque no Brasil, minha gente, até entrevista velha ganha vida nova. E sempre tem alguém disposto a gritar “babaca” achando que resolveu o enredo.