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Kátia Flávia
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Rock in Rio vira alvo do MPT após resgate de 14 em trabalho escravo

Decisão da Justiça do Trabalho atende ação do Ministério Público do Trabalho após fiscalização no Rock in Rio 2024. Relatório aponta jornadas de até 21 horas e condições degradantes para trabalhadores terceirizados.

Kátia Flávia

12/03/2026 8h00

Atualizada 11/03/2026 21h29

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A Justiça do Trabalho determina obrigações para o Rock in Rio 2026 após irregularidades na edição de 2024. (Foto: Reprodução/Internet)

Meus fofoqueiros , eu estava ali no sofá, taça de suco na mão, tentando fingir que estava vendo uma série sofisticada as 08h da manhã dessas que a HBO jura que mudam a vida da gente, quando a realidade resolveu dar um tapa dramático no roteiro. E que tapa. O Ministério Público do Trabalho resolveu puxar o pano do palco do Rock in Rio e o que apareceu nos bastidores não tem nada de show pirotécnico, tem cara de relatório pesado de fiscalização.

Sim, meu povo. Aquela festa que vende sonho pop, selfie de camarote e discurso de “mundo melhor” acabou entrando na mira da Justiça do Trabalho depois que uma fiscalização encontrou 14 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante a edição de 2024. Eu tive que largar o celular e sentar direito, porque a história tem nível de constrangimento institucional que faria qualquer produtora de série jurídica levantar a sobrancelha.

Segundo o relatório da inspeção, os trabalhadores enfrentavam jornadas que chegavam a 21 horas, dormiam no próprio local de trabalho em cima de papelão ou saco plástico, comiam comida de qualidade duvidosa e ainda conviviam com estrutura sanitária precária. Meu amor, isso aqui parece bastidor de produção improvisada de reality show falido, só que estamos falando de um dos festivais mais ricos e midiáticos do planeta.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, e a Justiça determinou que a empresa organizadora, a Rock World S/A, cumpra imediatamente uma série de medidas trabalhistas nas próximas edições do evento. Entre elas, exigência de registro em carteira para terceirizados, controle de jornada, alojamentos e refeitórios adequados, além de equipamentos de proteção e fiscalização real sobre as empresas contratadas.

E eu fico aqui olhando para essa narrativa com a curiosidade meio venenosa de quem acompanha bastidor de celebridade há anos. Porque existe uma coisa curiosa na indústria do entretenimento, meus amores. No palco tem LED, drone, telão, discurso de sustentabilidade e celebridade chorando pela humanidade. Nos bastidores, às vezes aparece uma planilha que conta outra história.

Os procuradores do caso foram diretos ao ponto. Eles lembraram que um evento que movimenta centenas de milhões de reais não pode conviver com trabalhadores em situação degradante enquanto vende imagem de inovação e impacto social. É o tipo de frase que, lida em voz alta, faz qualquer departamento de marketing engolir seco.

E não foi episódio isolado, segundo o próprio MPT. Outras edições do festival já tinham registrado problemas semelhantes, o que explica a pressão judicial agora. Resultado: se as medidas determinadas pela Justiça não forem cumpridas, a multa pode chegar a R$ 50 mil por obrigação descumprida, além de penalidade por trabalhador prejudicado.

Ah, e tem mais um capítulo nesse roteiro que parece drama corporativo. A empresa terceirizada que contratou os trabalhadores também entrou na lista de responsabilização e pode responder solidariamente pelo caso.

Eu confesso para vocês, meu comitê de análise social e fofoca institucional, que pausei meu drink no meio dessa leitura. Porque é curioso observar como o glamour de um festival internacional convive com histórias que parecem saídas de um relatório de fiscalização rural dos anos 1990.

E aí eu fico aqui, olhando para o palco imaginário do Rock in Rio, pensando naquela clássica imagem do festival, fogos, guitarra, multidão cantando em coro. Enquanto isso, em algum canto invisível da estrutura, gente trabalhava 21 horas seguidas.

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