Eu vou falar como quem já viu esse filme com outros aplicativos e sempre começa igual. O adulto olha a tela cheia de bloquinhos coloridos, vê um avatar fofo pulando e pensa “é só um joguinho”. Aí entra em cena o Roblox, que faz cara de game infantil, mas funciona, na prática, como uma rede social completa, com chat, amigos, grupos, economia própria e milhões de desconhecidos circulando ao mesmo tempo.
O Roblox já passou faz tempo da fase de passatempo inocente. Hoje ele é um ecossistema de experiências criadas por usuários, com loja interna, moeda virtual e interação constante. A empresa oferece filtros, denúncias e ferramentas para pais, tudo bonito no papel, mas admite que não dá conta de moderar tudo em tempo real. E aí mora o problema. O que parece inofensivo na vitrine pode esconder situações bem menos fofas no conteúdo real.
Investigações recentes já apontaram experiências com violência gráfica, erotização, fetiches e assédio dentro de jogos apresentados como infantis. Ao mesmo tempo, o Robux, a moeda virtual da plataforma, cria uma dinâmica de consumo contínuo. É compra pequena aqui, item exclusivo ali, acesso premium acolá, até o cartão do responsável virar figurante da história sem nem perceber.
O erro clássico dos adultos é comparar Roblox com Minecraft e encerrar o assunto. A semelhança visual engana. Roblox reúne chat aberto, grupos privados, economia própria e usuários do mundo inteiro. Isso muda completamente o nível de risco. Não é só sobre tempo de tela, é sobre com quem a criança fala, o que consome e quanto gasta.
Entre os perigos mais citados por especialistas estão a exposição a conteúdo inadequado, o contato com estranhos e o gasto descontrolado de dinheiro. Há relatos de jogos que simulam namoro adulto, situações sexualizadas e ambientes onde adultos se passam por crianças para ganhar confiança. Some a isso golpes prometendo Robux grátis e está montado o pacote de dor de cabeça.
O primeiro passo é tratar Roblox como rede social. Configurar a idade correta da criança faz diferença, porque libera filtros automáticos que simplesmente não funcionam se a conta estiver cadastrada como adulta. Criar um PIN para impedir mudanças nas configurações é básico. Revisar quem pode enviar mensagem, convidar para jogos e ver o perfil deveria entrar na rotina de qualquer responsável.
Outro ponto crucial é vigiar o tipo de jogo, não só o relógio. A aba de recentes e favoritos entrega exatamente onde a criança anda circulando. É ali que aparecem títulos com temas violentos, sexualizados ou simulações de vida adulta. Roblox até oferece níveis de conteúdo por idade, mas confiar só no sistema é ingenuidade. Bloquear manualmente e denunciar quando necessário faz parte do pacote.
Chat e voz merecem atenção redobrada. É nesse espaço que surgem bullying, assédio e tentativas de aliciamento. Crianças podem conversar com perfis que fingem ter a mesma idade e, aos poucos, puxam papo para fora da plataforma. Desativar chat para os menores, limitar conversas a amigos aprovados e revisar listas de contatos ajuda a reduzir o risco. E tudo isso precisa vir acompanhado de conversa franca, sem terrorismo, mas sem fingir que não existe perigo.
O dinheiro fecha o ciclo da tensão. Robux não é brincadeira simbólica, é moeda real convertida em pixels. Definir teto mensal, centralizar pagamento e ativar alertas de compra evita susto na fatura. E orientar a criança a desconfiar de promessas milagrosas de moeda grátis deveria ser regra básica, porq…