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Kátia Flávia
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Risco de morte e lama: músico processa Simone Mendes por ignorar família após desabamento

Léo Stuart, guitarrista do Tihuana, afirma que casa foi atingida por água e destroços de obra vizinha; cantora contesta responsabilidade e recorre na Justiça

Kátia Flávia

02/09/2026 14h00

Simone Mendes contesta na Justiça a responsabilidade pelo desabamento em Barueri

Simone Mendes contesta na Justiça a responsabilidade pelo desabamento em Barueri

O guitarrista Léo Stuart, da banda Tihuana, afirma que ele e sua família correram risco de morte em um desabamento que atingiu sua casa, em Barueri, na Grande São Paulo. Em ação de R$ 1,3 milhão contra Simone Mendes, o músico acusa a cantora de não procurar sua família após o episódio.

Eu já tinha saído do café e colocado um filé de tilápia na frigideira, enquanto cortava manga para a salada, quando a história chegou. Parei com a faca na mão. Porque muro caindo, lama invadindo casa e uma família dizendo que poderia ter morrido é assunto que faz qualquer almoço ficar para depois.

O caso aconteceu em 6 de novembro de 2024, durante fortes chuvas. Segundo Léo, água, lama e entulhos vindos da obra no imóvel de Simone avançaram sobre sua propriedade depois que estruturas entre os terrenos cederam.

O boletim de ocorrência registra danos na área de lazer, no pomar, na piscina e em outros pontos da residência. Diante da possibilidade de novos desabamentos, a Polícia Civil pediu perícia urgente no local. O caso foi registrado inicialmente como desabamento ou desmoronamento, com autoria desconhecida.

Em uma atualização posterior do boletim, Simone aparece identificada como proprietária da construção onde ocorreu o desabamento. Isso, porém, não significa que ela tenha sido apontada como autora de crime. Qualquer eventual responsabilização criminal depende do avanço das investigações e da análise de condutas individuais.

A perícia judicial trouxe um dado central para a disputa. O engenheiro nomeado pela Justiça apontou ausência de drenagem e de estrutura adequada no muro da propriedade de Simone. Segundo o laudo, com o solo encharcado pelas chuvas, a estrutura teria funcionado como uma barragem, pressionando o muro vizinho até o colapso.

Os advogados de Léo afirmam que o episódio poderia ter tido consequências fatais e criticam o que classificam como ausência de contato por parte da cantora. A alegação é que Simone não procurou o guitarrista nem seus familiares para saber se estavam bem. Os representantes dele ressaltam, porém, que acreditam que essa postura possa ter partido da assessoria, e não diretamente da artista.

A resposta de Simone está nos autos. A defesa contesta a responsabilidade atribuída à cantora, sustenta que as chuvas fortes configuraram caso fortuito e aponta falhas no muro da propriedade de Léo. Os advogados também afirmam que ela custeou a limpeza do imóvel atingido e questionam a possibilidade de fazer todos os reparos sem projetos técnicos específicos.

A Justiça determinou a paralisação da obra, a reconstrução dos muros e a restauração das partes danificadas, sob multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 200 mil. Simone recorreu, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a medida. Agora, a defesa tenta levar a discussão ao STJ.

Desliguei a frigideira para a tilápia não pagar pelo processo dos outros e fiquei pensando no tamanho dessa briga. De um lado, uma família que diz ter vivido pavor e risco de morte; do outro, Simone Mendes contestando a responsabilidade e insistindo que o desabamento foi consequência de uma tempestade e de problemas na construção vizinha. O processo ainda não tem desfecho definitivo.

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