Amores do capital, eu aviso logo. O Rio Open já não é só tênis faz tempo. Aquilo ali é o Big Brother premium do poder brasileiro, com dress code casual chique, sorriso estratégico e muita conversa que começa em esporte e termina em negócio.


No segundo dia do torneio, o Jockey Club Brasileiro virou sala VIP da elite multitarefa. De um lado, Carlo Ancelotti, aquele técnico que passa credibilidade só de respirar. Do outro, Zico, que entra em qualquer ambiente como patrimônio emocional nacional. Quando esses dois sentam na arquibancada, o evento sobe de categoria automaticamente.


Mas não parou no futebol de grife. Tinha Guga no circuito da memória afetiva, Michel Teló distribuindo simpatia como quem entrega cartão de visita, e uma ala forte da dramaturgia e do entretenimento com Dani Suzuki, Gabriela Medvedovsky, André Marques e André Lamoglia. Tudo isso misturado com ex-atletas, empresários e convidados que ninguém conhece direito, mas todo mundo respeita.



Eu observo e anoto. O Rio Open é aquele tipo de evento onde ninguém vai só para ver o jogo. Vai para ser visto, para marcar presença institucional, para reforçar imagem e para lembrar ao mercado que esporte de alto nível também é ambiente de influência. É ali que se cruzam patrocínio, mídia, prestígio e relações que rendem convite, contrato ou pelo menos uma foto bem posicionada.


No discurso oficial, falam de esporte e entretenimento. Na prática, o torneio funciona como uma vitrine sofisticada do capitalismo elegante, onde ninguém fala em dinheiro diretamente, mas todo mundo sabe quem manda, quem cresce e quem está só passeando.



Conclusão da colunista que ama um camarote com propósito. O Rio Open segue firme como evento esportivo e mais firme ainda como salão social de alto padrão. A bola sobe, o networking corre solto e o poder aplaude de pé. Eu, claro, sigo olhando tudo com taça imaginária na mão.
