Eu amo tênis, mas vou te contar o segredo que ninguém assume em voz alta no Jockey. O Rio Open 2026 virou um campeonato paralelo, o das marcas disputando território, holofote e aquele clique que vale ouro no grupo do conselho. A bolinha quica, o mercado grita.
O anúncio vem cheio de número grande, do jeito que executivo gosta e colunista ama. Projeção de impacto de R$ 200 milhões, recorde de patrocinadores, mais de 55 marcas associadas, e aquela frase clássica de bastidor, “é o evento do ano”. Eu olho, eu anoto, eu rio, porque dessa vez o povo do marketing realmente apareceu com sangue nos olhos.

O timing é maldoso e perfeito. A cidade já está em modo Carnaval, a Zona Sul lotada, e o torneio encaixa como um lounge premium com quadra no meio. A conta fecha porque vende Rio, vende imagem e vende uma ideia de Brasil sofisticado para mais de 140 países, com transmissão espichada em milhares de horas. Sim, tem tênis, mas tem também vitrine, e vitrine gosta de luz.
E os ingressos esgotados desde novembro de 2025, em poucas horas, viraram aquele carimbo de poder. Ninguém quer ser a marca que ficou de fora, ninguém quer explicar por que não tinha um “espaço de experiência” no boulevard. Resultado, estande virou cenário, ativações viraram mini atrações e o Leblon Boulevard virou um shopping de vaidade com crachá.

João Fonseca entra como o rosto do momento, aquele talento jovem que puxa conversa, puxa câmera e puxa patrocínio sem pedir. É aí que o jogo fica corporativo de vez. Você vê Claro trabalhando conteúdo e tecnologia para virar assunto, XP montando brincadeira com o público, Shell com experiência que pede vídeo, Engie puxando a pauta de descarbonização. O resto observa, copia, ajusta, e tenta parecer original.

Do lado da cerveja, Black Princess aparece com lata comemorativa e chopp exclusivo, porque nada une mais o Brasil do que esporte, calor e um brinde com branding bem colocado. Zurich, Betnacional, Rolex, Kia e companhia vêm no mesmo pacote. Presença forte, disputa por lembrança, aquele “quem apareceu mais” que ninguém admite medir, mas todo mundo mede.

No meio dessa overdose de marca, o Rio Open vende uma ideia bem esperta. Emprego, renda, fornecedor local, o tipo de argumento que deixa a planilha bonita e a cidade feliz. E como 90 por cento dos fornecedores são do Rio, o papo ganha corpo e vira munição para justificar o investimento sem cara de festa.

O resumo do bastidor é simples. O Rio Open passou do esporte faz tempo e virou plataforma de influência com raquete na mão. Quem entendeu isso cedo está desfilando no boulevard com sorriso de quem já garantiu o espaço de 2027. Quem deixou para a última hora, está em climão corporativo, pedindo milagre e chamando de “oportunidade estratégica” aquilo que, na real, é falta de cadeira na mesa.






(Créditos: Peter Wrede)
