Eu sempre digo que quando o esporte começa a falar mais com o marketing do que com a arquibancada, algo mudou. E o Rio Open 2026 não mudou, virou outra coisa. O torneio terminou com cara de negócio maduro, desejado e bem precificado, daqueles que a Faria Lima observa com atenção e um leve brilho no olho.

Foram cerca de 70 mil pessoas circulando pelo Jockey Club Brasileiro ao longo de nove dias. Número que não impressiona só pelo volume, mas pela constância. Arena cheia, público engajado, consumo espalhado pelo complexo inteiro. Não foi pico, foi fluxo. E fluxo recorrente é tudo o que uma marca quer.

Dentro de quadra, João Fonseca e Marcelo Melo entregaram o roteiro perfeito. Dupla brasileira campeã, emoção doméstica e narrativa pronta para patrocinador contar história. Fora dela, o torneio bateu recorde ao reunir 44 patrocinadores, um sinal claro de que o Rio Open deixou de ser vitrine experimental e passou a ser plataforma consolidada de visibilidade, relacionamento e negócio.


O Leblon Boulevard virou o coração comercial do evento. Experiências, ativações, lojas, gastronomia e aquele ambiente onde marca não aparece, ocupa. Quem entendeu isso, colheu engajamento. Quem ficou de fora, assistiu de longe.


A transmissão para mais de 140 países, a premiação de US$ 2,46 milhões e a geração de mais de 5 mil empregos diretos e indiretos fecham o pacote com números que agradam qualquer conselho de administração. Isso já não é conversa de bastidor esportivo, é dado concreto de impacto econômico.

A presença de Andre Agassi funcionou como selo internacional, aquele aval silencioso que diz muito sem precisar explicar nada. Já as ações de sustentabilidade e os projetos sociais reforçaram um discurso que hoje não é opcional para eventos desse porte: governança, responsabilidade e legado.

No fim, o Rio Open 2026 provou que o tênis, quando bem embalado, deixa de ser apenas jogo e passa a ser produto. E produto bom, a gente sabe, sempre encontra comprador.
