A Mulher Abacaxi, nome artístico de Marcela Porto, criticou Virginia Fonseca após decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) que determinou a remoção, em até 48 horas, de publicidades de apostas consideradas irregulares. A liminar também restringe anúncios que apresentem bets como fonte de renda, investimento ou solução financeira, e exige identificação clara do conteúdo publicitário.
Eu cheguei em casa, deixei a bolsa no aparador e fui tirar o tênis no quarto quando o telefone acendeu com “Mulher Abacaxi”, “Virginia” e “pobre de caráter” na mesma chamada. Sentei na ponta da cama para ler. Porque há uma hora em que a fofoca sai do cercadinho das celebridades e entra num debate de dinheiro, influência e gente que perde o controle da própria vida.

Marcela afirmou que recusou uma proposta de R$ 1 milhão para divulgar plataformas de apostas. Segundo ela, o dinheiro seria recebido ao longo de um ano e ajudaria seus planos de investir em caminhões, mas a decisão de recusar teria sido baseada em princípios pessoais e no impacto que os jogos podem causar.
“Esse dinheiro iria me ajudar muito. Eu investiria tudo em caminhões. Mas prefiro dormir com a consciência tranquila. Conheço pessoas que tiveram a vida arruinada pelas bets”, declarou. A rainha de bateria também disse que Virginia, por ser uma das maiores influenciadoras do país, poderia usar seu alcance “para fazer coisas boas em vez de divulgar algo que pode prejudicar pessoas”.
A decisão contra Virginia e a Blaze não proibiu toda e qualquer publicidade de apostas. O desembargador Renato Rodovalho Scussel determinou que sejam retirados conteúdos que não cumpram as regras e que a divulgação não se misture à rotina pessoal, familiar, de viagem ou de entretenimento de forma a dificultar a percepção de que se trata de anúncio. O processo continua em andamento.
Eu fiquei de pé, abri a janela do quarto e pensei na diferença entre vender uma ideia e vender uma ilusão. Porque o problema que a Justiça está discutindo não é alguém dizer que existe aposta na internet. É fazer uma campanha parecer rotina, conselho de amiga ou caminho para ganhar dinheiro sem deixar claro o que está sendo oferecido e quais são os riscos.
Marcela então subiu o tom. “Rica de dinheiro, mas pobre de caráter e de espírito. Não sei como não sente a dor de tantas pessoas indo à ruína por causa desse maldito jogo”, afirmou. “Prefiro morrer pobre a levar outras pessoas à pobreza.” É uma opinião dela, em tom de ataque direto, mas que encontrou terreno fértil no momento em que a publicidade de bets volta a ser discutida nos tribunais.

Virginia já havia negado, em depoimento à CPI das Bets, receber comissões ligadas às perdas dos seguidores ou lucrar com o prejuízo de usuários. A decisão desta semana, porém, recolocou a maneira como esse conteúdo é exibido no centro da conversa: o que é entretenimento, o que é anúncio e onde começa a responsabilidade de quem fala para milhões de pessoas.
Fui para o banho ainda com a frase da Marcela martelando na cabeça. Ela saiu dessa história com uma declaração incendiária, Virginia com prazo judicial para cumprir e as bets, mais uma vez, no meio de uma discussão que não cabe em story de quinze segundos.