Rafa Justus decidiu desativar os comentários de seu perfil após receber ataques nas redes sociais por publicar uma foto do primeiro voto. A jovem de 17 anos usava uma regata branca com uma pequena bandeira do Brasil e disse que internautas passaram a atribuir a ela posições políticas que nunca declarou publicamente.
Eu tinha acabado de receber o prato no Tascantiga quando vi o novo desabafo dela e deixei o garfo quieto. Porque uma menina comemora o primeiro voto, usa a bandeira do próprio país e acaba tendo de fechar os comentários para não ler agressão gratuita. Olha o nível do descontrole.

“A partir de uma regata, decidiram o meu posicionamento político, em quem eu voto, no que eu acredito, sendo que eu nunca me posicionei publicamente sobre política”, explicou Rafa.
Eu olhei para a mesa ao lado, onde uma família almoçava em paz, e pensei: virou um esporte nacional enxergar inimigo político até em camiseta branca. Se fosse uma bandeira de outro país, será que o tribunal virtual teria montado a mesma sessão extraordinária?
Rafa contou que as mensagens deixaram de ser opiniões e partiram para ataques à aparência e à inteligência. “Vieram ataques à minha aparência, à minha inteligência e xingamentos completamente gratuitos”, afirmou.
Eu apoiei o copo na mesa com força, porque aí não é debate político, é covardia digital. A garota não declarou candidato, não convocou voto, não atacou ninguém. Só exerceu um direito e virou alvo de gente que acha que uma foto dá licença para humilhar.
A filha de Ticiane Pinheiro e Roberto Justus questionou por que usar um símbolo nacional deveria exigir explicação. “Eu sou brasileira e usar a bandeira do meu país não deveria exigir explicação”, escreveu.
Diante da repercussão, Rafa resolveu limitar a interação no perfil. “Desativei os comentários aqui dessa conta, porque no meu perfil respeito não é opcional”, avisou. Roberto Justus apoiou a filha e disse que quem ataca pessoas nas redes não merecia explicação.

Eu terminei o almoço com uma certeza: Rafa fez muito bem em colocar limite. Porque liberdade de expressão não é passe livre para atacar adolescente, e comentário aberto não é obrigação de ninguém.