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Kátia Flávia
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Rei Charles morreu? Rádio anuncia morte do monarca por engano e fica 16 minutos em silêncio

Funcionário colocou no ar, “por curiosidade”, gravações preparadas para o falecimento do rei, tocou hino britânico e deixou emissora em pânico

Kátia Flávia

11/08/2026 13h30

Rei Charles teve morte anunciada por engano em rádio britânica

Rei Charles teve morte anunciada por engano em rádio britânica

Uma rádio britânica anunciou por engano a morte do rei Charles III depois que um funcionário reproduziu arquivos preparados para o eventual falecimento do monarca. O caso aconteceu em 19 de maio, mas os detalhes só foram revelados agora pela Ofcom, órgão regulador da mídia do Reino Unido.

Eu já estava quase chegando ao Leblon, atrasada para almoçar com as amigas e matar a saudade de fofoca presencial, quando li isso e quase pedi para o motorista diminuir a música. Um funcionário apertou play “por curiosidade” e colocou no ar a morte do rei da Inglaterra. A curiosidade, meus amores, quase virou crise institucional com hino e silêncio fúnebre.

O caso aconteceu na Radio Caroline. Durante uma manutenção de rotina em um computador, o funcionário encontrou três gravações que só deveriam ser usadas em caso de morte de Charles. Mesmo com instruções rígidas destinadas aos apresentadores e responsáveis pela emissora, ele decidiu reproduzir o material sem perceber que interromperia a transmissão ao vivo do programa The Barry Marsh Show.

“A imprensa confirmou que sua majestade, o rei Charles III, morreu. Consequentemente, em sinal de respeito, a Radio Caroline está suspendendo sua programação normal”, dizia um dos comunicados exibidos por engano.

Depois de três anúncios, a rádio tocou o hino britânico, repetiu uma das mensagens e ficou cerca de 16 minutos em silêncio na transmissão digital. No rádio tradicional, os ouvintes escutaram uma programação alternativa. É o tipo de erro que começa com um clique e termina parecendo episódio especial de The Crown sem autorização da Netflix.

Ao perceber o tamanho do problema, o funcionário interrompeu a reprodução, entrou em pânico e deixou o prédio da emissora. O apresentador Barry Marsh estava ao telefone e nem percebeu que seu programa havia sido cortado pela morte inexistente do rei.

A correção demorou cerca de 30 minutos. Marsh voltou ao ar dizendo que a emissora havia exibido uma informação incorreta e pediu desculpas, atribuindo o episódio a um problema técnico. A Ofcom recebeu duas reclamações e concluiu que a Radio Caroline violou regras do código britânico de radiodifusão, incluindo a obrigação de precisão nas notícias e de correção rápida de erros significativos.

E eu, olhando pela janela para o Leblon molhado, só pensava: imagina o susto dos súditos que estavam ouvindo rádio, tomando chá, vivendo a terça-feira e, do nada, escutam o hino e a morte do rei. Charles vivo na Irlanda do Norte e a rádio fazendo velório digital.

Quando o erro aconteceu, Charles, de 77 anos, cumpria compromissos públicos na Irlanda do Norte ao lado da rainha Camilla. A direção da Radio Caroline pediu desculpas ao monarca e aos ouvintes. O funcionário foi repreendido, também pediu desculpas, e os arquivos foram retirados do computador e transferidos para um dispositivo externo.

Ou seja: o rei não morreu, a rádio quase morreu de vergonha e o funcionário aprendeu que arquivo de protocolo real não é playlist para testar som. Eu cheguei ao almoço com essa pauta na mão e uma certeza: se até a morte do rei pode sair no ar por curiosidade, ninguém está seguro perto de um botão vermelho.

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