Eu confesso que dei um sorriso torto de aprovação. Reality de churrasco já nasce com cheiro de fumaça, faca afiada e ego tostando devagar. Quando a RPC resolve tirar os famosos de cena e entregar a grelha para duplas anônimas, aí sim o jogo muda.
Vem aí mais uma temporada de O Grande Assador, reality da RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná. A virada é clara. Sai o estrelismo treinado, entra o povo com história, nervo e paixão por carne. Do jeito que reality gosta de prometer e raramente cumpre.
Pela primeira vez, o programa abre inscrições para o público. Duplas anônimas disputam o título mostrando domínio da brasa, técnica, criatividade e aquele autocontrole que some quando a câmera liga. Todo mundo manda bem no churrasco de domingo. Quero ver com cronômetro correndo e jurado avaliando em silêncio.

As inscrições vão até 8 de março e tem regra básica. Pelo menos um integrante da dupla precisa morar no Paraná. O drama é local, o sotaque é real e a pressão vem com CEP. As provas testam corte, preparo, apresentação e desempenho sob estresse. Churrasco de verdade, sem filtro.
Quem conduz o espetáculo é Marcos Canan, especialista que puxa o fio da tradição com emoção na medida. A receita mistura técnica séria com tensão televisiva, aquele combo que rende comentário no sofá e discussão no grupo de WhatsApp.
Serão seis episódios de desafio atrás de desafio, com jurados de peso definindo quem avança e quem volta para casa com o ego mais macio que a carne mal passada. A temporada segue até 9 de maio, quando sai o Grande Assador de 2026, com direito a fumaça, aplauso e provável lágrima estratégica.

Eu olho para essa aposta e penso que a RPC leu o momento. Menos celebridade ensaiada, mais gente real tentando provar que sabe fazer bonito com a grelha quente. Reality bom é aquele que faz a gente pensar “eu faria melhor”. Mesmo sabendo que não faria.
Estreia em 4 de abril. Até lá, o país segue dividido entre quem tempera antes e quem só joga sal grosso e reza. Isso, meu bem, já rende audiência.