Eu olho essa capa e já aviso, isso não aconteceu por acaso, nem por empurrão de algoritmo, nem por favor de bastidor. Rayane Fortes chegou onde chegou porque trabalhou o som, a imagem e a identidade com uma obsessão que artista acomodado costuma chamar de exagero.
A brasileira virou capa da Guitar Thrills Magazine, publicação norte americana que não entrega espaço nobre para promessa vazia ou hype de rede social. Ali só senta quem toca de verdade, sustenta discurso e segura palco sem pedir arrego. Rayane sentou confortável, guitarra no colo e expressão de quem sabe exatamente o que está fazendo.

Na entrevista, ela passeia pelas influências que moldaram sua formação, do blues clássico ao soul, passando pelo rock e pelo R&B, tudo filtrado por uma assinatura própria que foge de imitação preguiçosa. A conversa gira em torno de timbre, identidade sonora e da relação íntima entre voz e guitarra, uma parceria que virou marca registrada.

Rayane também fala sem rodeio sobre ocupar espaço em um universo historicamente masculino, defendendo autonomia artística, liberdade estética e o direito de existir sem precisar se encaixar em molde velho. Não tem discurso decorativo, tem posição clara e vivida.

A revista ainda antecipa os próximos movimentos da artista em 2026, com novos EPs, parcerias internacionais e o fortalecimento da presença fora do Brasil. Tudo ancorado em blues, soul e R&B, com aquele tempero autoral que ela faz questão de proteger como patrimônio pessoal.
No fim das contas, Rayane surge ali como nome brasileiro em diálogo direto com a cena global da guitarra. Técnica, discurso, identidade e projeção caminhando juntas, sem desespero, sem afobação e sem aquela ansiedade típica de quem quer pular degrau.