Ratinho usou o programa desta segunda-feira (10) para rebater a denúncia por homofobia apresentada ao Ministério Público de São Paulo após uma fala sobre o cantor Tiago Piquilo. O apresentador havia dito que o sertanejo estava com “cara de viado” e, ao comentar a repercussão, afirmou que tudo não passou de brincadeira.
Eu acordei no Cosme Velho sem saber se meu corpo ainda estava no fuso de Madri, no resto de Ibiza ou simplesmente desistindo de mim. Lá fora, 19 graus, chuva leve e um Rio com cara de edredom. Só que a agenda já voltou chutando a porta: nada de chocolate quente. Abri a mala ainda pela metade, puxei uma legging preta de compressão que comprei em Madri, um top vinho de alça larga e um corta-vento cinza claro, porque hoje eu vou matar saudade da academia nem que seja no ódio. Foi nesse cenário de jet lag, roupa de treino e dignidade amassada que Ratinho apareceu na tela dizendo que “estava brincando”.

“Eu sempre brinquei com todo mundo que vem aqui no programa. Eu nunca desrespeitei uma pessoa sequer na vida. A coisa que eu mais tenho pelas pessoas é respeito. O Brasil sabe que eu brinco”, disse Ratinho.
O problema, meus amores, é que essa desculpa da “brincadeira” já está mais velha que sofá de auditório. Quando a piada sempre cai no mesmo grupo, quando o alvo sempre precisa engolir o constrangimento sorrindo, talvez não seja humor. Talvez seja só preconceito com trilha de plateia.
Ratinho ainda afirmou que está há 28 anos brincando na televisão e que nunca desrespeitou ninguém. Em seguida, soltou uma frase que não ajudou muito na defesa: “Quando eu brigo, eu brigo, eu não desrespeito, eu vou pro tapa, vou pro soco, vou pro pontapé”.
Ou seja, no pronunciamento para explicar uma denúncia por homofobia, ele conseguiu convocar tapa, soco e pontapé para dentro do argumento. A comunicação de crise deve ter assistido de joelhos.
A representação foi apresentada pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães Júnior, do PSOL-SP. Ratinho evitou citar o nome do político, mas o acusou de usar uma entidade para tentar obter vantagem.
“O senhor que está me processando está usando de uma entidade para levar vantagem. Não vou falar seu nome, você não merece que eu fale. O senhor sabe que eu estava brincando. Então, para com bobagem”, disparou.
Galvão Bueno, que apareceria em seguida na programação do SBT com o Galvão F.C., entrou na conversa sem conhecer todos os detalhes e saiu em defesa do colega. Disse ser testemunha de que Ratinho nunca desrespeitou ninguém desde os tempos da televisão no Paraná.

Ratinho também comparou o caso a uma história envolvendo Silvio Santos, dizendo que o antigo dono do SBT teria parado de brincar com crianças após ser questionado por um promotor. “Eu também vou fazer isso. Eu não brinco mais, é melhor e mais fácil”, afirmou.
Eu fechei o zíper da jaqueta, procurei meu tênis branco com detalhe prata no meio da mala e só consegui pensar que ninguém está proibindo humor. O que estão cobrando é o básico: não transformar orientação sexual em insulto de programa de auditório. Se a graça depende de chamar alguém de “viado” na TV, talvez o problema não seja a denúncia. Talvez seja a piada.