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Kátia Flávia
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Ratinho ataca beijo gay, e SBT exibe casamento LGBT na mesma noite na TV

Apresentador foi acusado de homofobia após criticar casais homoafetivos no ar, enquanto a emissora exibiu em seguida uma união LGBT no Fábrica de Casamentos (Casamento de Pepita e Kayque Nogueira).No SBT, a praça pública e o altar dividiram a mesma programação.

Kátia Flávia

07/05/2026 12h45

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Amadas estava , com um café indecentemente caro na mão e um grupo de WhatsApp fervendo mais que bastidor de final de novela, quando me caiu no colo essa pérola da televisão brasileira. Ratinho, ao vivo, resolveu reclamar de beijo gay em novela, com aquele ar de tio que acha que o controle remoto ainda manda no mundo. Minutos depois, minha filha, o próprio SBT colocou no ar um casamento LGBT no Fábrica de Casamentos.

A cena é daquelas que só o SBT consegue entregar sem pedir licença para a coerência. De um lado, Ratinho falando que vê homem beijando homem e mulher beijando mulher na televisão e fica incomodado com o que isso “incentiva”. Do outro, a emissora mostrando uma união homoafetiva com vestido, emoção, lágrima, decoração e todo aquele açúcar televisivo que faz até madrinha amarga pedir guardanapo.

E aí entra a graça fina, ou a saia justa caríssima, dependendo do seu grau de paciência. O SBT sempre foi essa casa de portas abertas e vozes soltas, onde apresentador fala como se estivesse no balcão da padaria, mas a programação também abraça o popular, o diverso, o afetivo e o inesperado. Isso vem lá de Silvio Santos, que dava liberdade, adorava o diferente no palco e entendia que televisão vive de gente, não de cartilha engomada.

Ratinho representa uma parte antiga dessa TV de opinião sem freio, de frase atravessada, de auditório que ri antes de pensar. O Fábrica de Casamentos representa outra parte, a que vende sonho, família, afeto e inclusão para a sala de casa. A mesma emissora que deixa o apresentador espernear contra beijo gay também exibe um casal LGBT dizendo sim diante das câmeras.

Pepita e Kayque se casaram mais uma vez ontem (06) no Fábrica de Casamentos (Foto: Divulgação/SBT)

Nas redes, o contraste virou munição na hora, porque o público de hoje não assiste TV sozinho, assiste com o X aberto e o deboche engatilhado. Teve gente apontando incoerência, teve gente defendendo a liberdade dos comunicadores, teve gente lembrando que o SBT sempre foi uma colcha de retalhos com lantejoula, auditório, polêmica e emoção popular. E eu, que não sou obrigada a fingir surpresa, apenas observo o canal se contradizendo em horário nobre com a naturalidade de quem troca de cenário no intervalo.

No fim, o babado não está só na fala de Ratinho nem apenas no casamento exibido depois. O babado está nesse SBT que consegue, na mesma noite, colocar preconceito no microfone e diversidade no altar. Minha conclusão de fofoqueira qualificada é simples: naquela grade, o beijo gay incomodou um apresentador, mas o casamento LGBT passou logo em seguida, maquiado, iluminado e com buquê na mão.

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