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Kátia Flávia
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“Querem a carcaça”: Mariana Goldfarb revive topless e dispara contra mulheres-troféu

Modelo relembrou uma experiência de exposição do corpo e refletiu sobre a cobrança que reduz mulheres à aparência, como se elas existissem para ornamentar a vida de alguém.

Kátia Flávia

21/07/2026 12h15

Mariana Goldfarb refletiu sobre exposição do corpo e o rótulo de mulher-troféu

Mariana Goldfarb refletiu sobre exposição do corpo e o rótulo de mulher-troféu

Mariana Goldfarb voltou a falar sobre uma experiência de topless e usou a lembrança para refletir sobre o modo como muitas mulheres são tratadas como troféus. “Querem a carcaça”, resumiu, ao criticar a lógica que enxerga o corpo feminino antes de enxergar a pessoa.

Eu larguei o celular na mesa depois da enésima tentativa de falar com Virginia e fiquei olhando para essa frase. Porque ela não tem enfeite, não pede licença e não vem para agradar ninguém. “Carcaça” é exatamente a palavra de quem cansou de ser observada como embalagem.

Modelo usou a expressão “querem a carcaça” ao criticar a redução da mulher à aparência
Modelo usou a expressão “querem a carcaça” ao criticar a redução da mulher à aparência

Mariana transformou uma recordação íntima em discussão sobre exposição, desejo e a pressão para ocupar um lugar decorativo. A crítica não é contra sensualidade, liberdade ou escolha. É contra a ideia de que uma mulher bonita, desejada ou fotografada precisa aceitar que a reduzam a isso.

Eu sentei na ponta da poltrona e pensei em como essa armadilha funciona bem demais. Quando a mulher se mostra, dizem que ela pediu julgamento. Quando se protege, dizem que se acha. Quando fala, chamam de exagerada. É um roteiro velho, preguiçoso e muito conveniente para quem não quer escutar.

A expressão “mulher-troféu” parece até elogio para quem olha de fora, mas carrega uma crueldade discreta: o troféu não fala, não escolhe, não contraria e fica exposto numa prateleira para provar alguma coisa sobre quem o possui. Mariana foi direto no centro dessa fantasia.

Mariana tem compartilhado reflexões sobre autonomia, corpo e relações nas redes
Mariana tem compartilhado reflexões sobre autonomia, corpo e relações nas redes

A modelo tem feito das redes um espaço para reflexões menos polidas e mais honestas sobre corpo, relações e autonomia. Dessa vez, o topless não apareceu como provocação gratuita, mas como ponto de partida para falar do que existe atrás da imagem: uma mulher inteira, com voz, limite e pensamento.

Eu levantei para buscar o carregador e deixei uma conclusão anotada na cabeça: a internet pode até insistir em olhar para a “carcaça”, mas Mariana devolveu a conversa para onde ela devia estar desde o começo. Na mulher que existe depois da foto.

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