Eu estava na manicure em Sintra, vendo a segunda camada de esmalte ganhar forma, quando dei de cara com o apartamento da Negrini. Minha filha, é o tipo de endereço em que até o banho vem com atmosfera de cena final de novela: um ofurô, janela antirruído e vista para o verde. Não é apartamento, é camarim de protagonista.
A propriedade passou por uma reforma que integrou sala de estar, sala de jantar, cozinha e varanda em uma área contínua. O projeto privilegia circulação e luz natural, aquele conceito de casa que parece respirar sozinha, enquanto a gente só tenta descobrir onde vai colocar a bolsa.

A cozinha reúne bancadas amplas e uma ilha de inox, enquanto os três quartos são suítes. Todos os ambientes têm ar-condicionado e o prédio oferece uma vaga de garagem. Eu vejo a ilha de inox e já imagino que ali até um café coado fica com cara de evento patrocinado.
Mas quem entrar nessa casa milionária precisa considerar as contas que vêm depois do brinde. O condomínio custa cerca de R$ 5 mil mensais e o IPTU gira em torno de R$ 9 mil por ano. Somadas, as duas despesas chegam a aproximadamente R$ 69 mil anuais, sem contar água, energia, manutenção e qualquer desejo de trocar uma torneira.

Higienópolis é conhecido pelas ruas arborizadas, prédios tradicionais e pela proximidade com escolas, hospitais, restaurantes e espaços culturais. A Praça Buenos Aires, um dos cartões-postais verdes do bairro, fica na região. É o tipo de CEP em que até passear com cachorro parece produção de editorial.
Negrini construiu uma carreira marcada por personagens que viraram assunto dentro e fora da televisão. A atriz está escalada para “Elas que Lutem”, próxima novela das sete da Globo, prevista para substituir “Por Você” na programação da emissora.
Eu sigo aqui, com a manicure ainda trabalhando nas minhas mãos, pensando que R$ 4,7 milhões podem comprar metragem, ofurô e silêncio. Mas presença, charme e a energia de Alessandra Negrini, meu amor, não entram na escritura.