Eu, Kátia Flávia, já vi muita fofoca virar processo e muito processo virar novela das nove, mas o caso do Cão Orelha resolveu estrear direto como série policial pesada, dessas que deixam o público indignado e o grupo do condomínio em combustão espontânea. Praia Brava, Florianópolis, um cachorro comunitário conhecido havia mais de dez anos e uma morte que interrompeu a rotina de um bairro inteiro.
A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina avançou e chegou a um adolescente apontado como principal suspeito pela agressão que matou o animal. O caso ganhou repercussão internacional e agora entra numa fase que mistura prova técnica, pressão social e decisão judicial.
Segundo a polícia, imagens de câmeras de segurança mostram o adolescente circulando na madrugada do dia 4 de janeiro ao lado de outro jovem. O figurino não passou despercebido. Um moletom usado nas gravações é o mesmo identificado no retorno do adolescente dos Estados Unidos, detalhe que ganhou peso na análise investigativa.
O enredo ficou ainda mais sério com o uso de tecnologia. Um software francês analisou dados de localização e ajudou a mapear o deslocamento do suspeito a partir das 5h25 da manhã, quando ele teria saído de um condomínio na Praia Brava. A linha do tempo montada pelos investigadores colocou o adolescente no trajeto associado ao crime.
Outro elemento citado pela polícia é um boné rosa, supostamente utilizado pelo adolescente e escondido por um familiar na chegada ao aeroporto. Acessório simples, mas tratado como peça relevante dentro do conjunto de indícios reunidos.

Com a conclusão das diligências iniciais, a Polícia Civil pediu a internação do adolescente, medida que equivale à prisão no sistema adulto. Celulares foram apreendidos e passam por extração e análise de dados, etapa que pode confirmar provas já coletadas e acrescentar novas informações ao inquérito.
A defesa dos adolescentes, representada pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, afirma que os elementos apresentados são circunstanciais e não permitem conclusões definitivas. Os advogados também reclamam da falta de acesso integral aos autos e criticam a exposição pública do caso, que, segundo eles, teria inflamado a opinião pública e causado danos irreparáveis a pessoas inocentes.
Enquanto a Justiça avalia o pedido de internação, o caso do Cão Orelha segue como um dos episódios mais sensíveis e comentados de Santa Catarina. Um cachorro que virou símbolo, uma investigação sob holofotes e um desfecho que ainda promete novos capítulos