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Kátia Flávia
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Quem foi Miguel Abdalla,tio de Suzane von Richthofen encontrado morto na zona sul de São Paulo

Enquanto Suzane von Richthofen se tornava o rosto do crime mais chocante do Brasil, foi Andreas von Richthofen quem ficou, em silêncio, sob a proteção de um tio que nunca pediu holofotes. Miguel Abdalla foi o adulto que segurou os cacos de uma família destruída.

Kátia Flávia

10/01/2026 10h20

Enquanto Suzane von Richthofen se tornava o rosto do crime mais chocante do Brasil, foi Andreas von Richthofen quem ficou, em silêncio, sob a proteção de um tio que nunca pediu holofotes. Miguel Abdalla foi o adulto que segurou os cacos de uma família destruída.

Amadas,encontrado morto dentro de casa, na Vila Congonhas, zona sul de São Paulo, Miguel Abdalla Neto, aos 76 anos, encerra uma história que sempre correu paralela ao crime Richthofen. O corpo estava ao lado da cama, já em estado de decomposição, sem sinais de violência ou arrombamento. A polícia trata o caso como morte suspeita, com hipótese inicial de mal súbito ou causa natural, aguardando laudo oficial.

Mas reduzir Miguel ao título de “tio de Suzane” é apagar quase tudo o que ele foi depois de 2002.

Médico ginecologista, carreira sólida e vida discreta, Miguel teve o destino virado do avesso quando a irmã, Marísia, e o cunhado, Manfred, foram assassinados pela própria filha. Enquanto o país assistia, em choque, ao julgamento e à condenação de Suzane, alguém precisava cuidar do filho que sobrou. Esse alguém foi ele.

Miguel assumiu a tutela de Andreas ainda adolescente. Garantiu casa, escola, proteção e uma rotina minimamente estável em meio ao caos midiático. Sem entrevistas, sem frases de efeito, sem palco. O trabalho sujo ficou com ele.

Além da guarda, veio o peso jurídico. Inventário, bens, patrimônio, disputas familiares. Miguel também foi o responsável por administrar os interesses financeiros ligados a Andreas e se posicionou firmemente contra qualquer tentativa de Suzane acessar a herança dos pais que assassinou. Essa postura o transformou, nos bastidores, no grande antagonista civil da sobrinha.

Houve conflitos, processos e desconfianças. Com o tempo, Andreas assumiu formalmente a posição de inventariante, e Miguel se afastou da linha de frente, mas nunca da imagem que carregou até o fim. A de guardião silencioso do filho sobrevivente.

Durante mais de duas décadas, Miguel viveu as consequências de um crime que não cometeu. Não puxou holofotes, não capitalizou a tragédia, não virou personagem de documentário. Sustentou, sozinho, a parte menos glamourosa da história. A que não rende audiência, mas sustenta vidas.

Agora, sua morte fecha um capítulo pouco explorado do caso Richthofen. O do homem que segurou o que restou enquanto o Brasil olhava para outro lado.

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