Amados, confesso que adoro quando o Brasil aparece no Oscar fora do óbvio. Enquanto todo mundo fica procurando ator bonito para idolatrar, eu já estava de olho no moço que manda na luz, na sombra e naquele clima que faz a gente suspirar e chorar sem saber por quê. O nome dele é Adolpho Veloso, anota aí porque esse sobrenome ainda vai render muito close internacional.
O novo brasileiro da corrida pelo Oscar não aparece na frente da câmera, mas decide como tudo vai ser visto. Aos 37 anos, Adolpho foi indicado ao Oscar 2026 de Melhor Fotografia por Sonhos de Trem, produção da Netflix dirigida por Clint Bentley e estrelada por Joel Edgerton. É o tipo de crédito que faz Hollywood parar, ajustar o foco e perguntar: quem acendeu essa luz tão bonita.
O filme adapta um texto de Denis Johnson e acompanha um lenhador envolvido na construção de pontes e ferrovias nos Estados Unidos do início do século 20. Drama masculino, paisagem aberta, solidão pesada no ar. A crítica se derreteu pela fotografia que mistura poeira, céu enorme e uma melancolia que gruda. Foi essa mão firme por trás da câmera que colocou Adolpho na lista da Academia.
Antes de chegar a esse palco, o moço rodou bastante. Construiu currículo no Brasil, em Portugal e em produções independentes. Assinou a fotografia de Rodantes e Tungstênio, passou pela portuguesa Mosquito, pelo argentino El Perfecto David e pelo documentário On Yoga: Arquitetura da Paz. Nada de salto mágico. Foi estrada mesmo.

Na televisão, fotografou a série histórica Becoming Elizabeth e projetos que circularam por festivais especializados em fotografia como o Camerimage. Esse trânsito entre cinema de autor, TV de época e projetos experimentais afinou um olhar que agora desemboca num drama americano de prestígio. Hollywood adora esse tipo de currículo, ainda mais quando vem com sotaque.
Agora vem a parte que eu amo contar no bar. Antes do Oscar, Adolpho também brilhou no pop. Sim, meu bem, o mesmo homem que iluminou lenhadores e ferrovias também assinou a fotografia do clipe Ameianoite, parceria de Pabllo Vittar com Gloria Groove, além de trabalhos com BK. A mesma mão que aguenta brilho, cor e performance pop cria poeira, vapor e solidão num drama de época. Versátil é pouco.
A indicação ao Oscar veio com uma temporada de prêmios de respeito. Adolpho venceu o Critics Choice Awards de Melhor Fotografia, um dos grandes termômetros da Academia, deixando veteranos para trás. O nome dele começou a aparecer em listas de melhores do ano, apostas da crítica e matérias de peso. Quando os indicados foram anunciados, o favoritismo já estava plantado.
Junto com Wagner Moura, indicado a Melhor Ator, Adolpho Veloso amplia a presença do Brasil no Oscar 2026 por ângulos diferentes. Um na frente da câmera, outro controlando o que o mundo enxerga. É o Brasil mostrando que talento não mora só no close, mas também na técnica, na imagem e na decisão de onde colocar a luz.
Euzinha, adoro esse tipo de história. Começa em filme pequeno, passa por clipe pop, cruza fronteira, ganha prêmio chique e estaciona no Oscar com pose discreta e foco afiado. Luz acesa, cortina aberta. Esse nome ainda vai aparecer muito no nosso roteiro.