Domingo de manhã, eu em casa no Cosme Velho, trabalhando com o café esfriando ao lado do notebook, quando o telefone tocou e era a PUCPR. Parei tudo. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná e os Irmãos Maristas definiram a despedida do reitor Irmão Rogério Renato Mateucci: o velório será nesta quarta (4/11), na Capela Universitária Jesus Mestre, em Curitiba, logo após a chegada do corpo, prevista para o início da tarde, e segue até as 22h.
Na quinta (5/11), às 9h30, a Missa de Exéquias será celebrada na quadra coberta da universidade, aberta à comunidade e com transmissão ao vivo pelo canal da PUCPR no YouTube. O sepultamento será reservado a familiares e convidados. No dia 16/11, uma segunda feira, às 17h30, a capela recebe a missa de 30 dias. A universidade também colocou no ar uma página memorial, em memorial-ir-rogerio.pucpr.br, para quem quiser deixar mensagens e lembranças.
Irmão Rogério morreu aos 55 anos, no fim da tarde de 16 de outubro, em Scottsdale, no Arizona. Ele estava em viagem de trabalho, que incluía atividades ligadas à Universidade Estadual do Arizona, e participava de uma visita guiada a Taliesin West, a casa ateliê de Frank Lloyd Wright reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, quando uma peça de acrílico se soltou do telhado com a ventania e o atingiu na cabeça. A própria PUCPR desmentiu a primeira versão, que falava em acidente de trânsito, e informou que a morte foi imediata. A polícia local tratou o caso como acidente ligado ao clima, e o espaço foi fechado ao público por tempo indeterminado.
São quase três semanas entre a morte e a volta do corpo ao Brasil, o tempo da burocracia de um translado internacional. Quem ficou nos Estados Unidos cuidando dos trâmites foi Vidal Martins, hoje reitor em exercício, que definiu o colega como um líder profundamente comprometido com a missão marista.
A trajetória explica o tamanho da comoção. Nascido em Americana, no interior paulista, em 1971, ele entrou para o Instituto Marista em 1992 e fez os votos perpétuos em 1997. Pedagogo pelo Centro Universitário Filadélfia, especialista pela Universidade Estadual de Londrina, mestre e doutor em liderança educacional pela Fordham University, em Nova York, dirigiu o Colégio Marista de Londrina, comandou a Diretoria de Identidade Institucional e, a partir de 2016, a área de Missão, Identidade e Extensão da PUCPR, até assumir a reitoria em 2022.
Para entender o peso do cargo, vale olhar como a cadeira é ocupada. A PUCPR é mantida pelos Irmãos Maristas, e o reitor é indicado pelo Conselho de Administração do Grupo Marista e depois confirmado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, no Vaticano. Irmão Rogério tinha passado por esse rito pela segunda vez em dezembro de 2025, reconduzido para o mandato de 2026 a 2029. Ele mal tinha começado o segundo capítulo da gestão.
A reação mostrou o alcance dele fora do campus. O prefeito Eduardo Pimentel decretou luto de três dias em Curitiba, a missa de 19 de outubro lotou a capela, a universidade suspendeu aulas e atividades administrativas, e governo do Paraná, CNBB e ABMES publicaram notas de pesar. Eu reparo numa coisa: em momento de dor, a PUCPR comunicou com clareza, desmentiu versão errada, deu data, hora e local de tudo e abriu transmissão para quem não pode estar em Curitiba. Luto institucional bem conduzido também é gestão.
No radar, a minha leitura: passada a despedida, a pergunta da sucessão volta à mesa. Pelo rito que levou Irmão Rogério ao cargo, um nome efetivo depende do Conselho do Grupo Marista e da confirmação do Vaticano, e a universidade não anunciou prazo. Até lá, Vidal Martins segue no comando, e a expectativa natural é de continuidade na linha de identidade institucional e diálogo com a cidade que marcou os últimos quatro anos.
Quem quiser se despedir à distância tem a transmissão de quinta, às 9h30, e o memorial aberto. Esta semana, Curitiba se despede de um reitor que levava a missão com leveza, e o resto pode esperar.