Eu estava na academia, tentando entender se agachamento búlgaro é exercício ou vingança dos pobres, quando o celular começou a vibrar com a turma da Sony toda nervosa. “Kátia, entra no mundo gamer agora, porque o PS6 virou assunto quente”, praticamente gritou a pauta no meu ouvido. E eu, que já enfrentei camarim de cantora, bastidor de novela e fila de open bar em festa de influenciador, não ia tremer diante de um videogame.
A Sony afirmou que ainda não definiu quando lançará seu novo console nem qual será o preço, segundo declaração do presidente Hiroki Totoki em conversa com investidores. O motivo é a crise global de memória, pressionada pela corrida da inteligência artificial, que tem feito empresas disputarem chips como se fosse camarote na Sapucaí. A empresa também disse que os preços de memória devem continuar altos no ano fiscal de 2027 por causa da falta de oferta.
No Brasil, o susto já bateu na porta antes do PS6 sequer dar as caras. O PS5 subiu de R$ 4.499,90 para R$ 5.099,90, o PS5 Digital passou de R$ 3.999,90 para R$ 4.599,90, o PS5 Pro foi para R$ 7.499,90 e o PlayStation Portal chegou a R$ 1.899,90, em reajuste oficial anunciado pela PlayStation para abril de 2026. Traduzindo do gamer para o brasileiro parcelado, a próxima geração pode chegar com cara de luxo, boleto de joalheria e caixa de eletrônico chorando em japonês.
O buraco é técnico, mas o drama é popular. Projeções de mercado apontam alta pesada nos contratos de DRAM e NAND Flash, dois tipos de memória usados em eletrônicos, com servidores de IA abocanhando capacidade que também abastece produtos de consumo. Em português de salão, a IA foi comprar memória em atacado, deixou o videogame na fila e ainda saiu fingindo que não conhece ninguém.
A Sony, claro, não confirmou nome, data nem preço do PS6, mas já admitiu investimento em uma plataforma de próxima geração em seu planejamento financeiro. Também avisou que as vendas de hardware do PS5 em 2026 dependerão do volume de memória que conseguir comprar a preços razoáveis. Meu veredito de fofoqueira iniciante no mundo gamer é simples: antes de ganhar trailer, evento e fila na loja, o PS6 já ganhou inimiga poderosa, a inteligência artificial com cartão corporativo sem limite.