Estava aqui em Milão, acabei de sair de uma coisa, abri o telefone e estava todo mundo me mandando o áudio do Fábio Marxx. Sabe quando você ouve uma coisa e pensa: isso vai explodir? Pois então.
Fábio foi direto no osso. Disse que Priscilla é alguém que a vida inteira não acreditou na comunidade LGBT, e que o posicionamento de aliada veio depois, quando ficou conveniente. O que mais pesou no relato dele foi o seguinte: quando você encontra essa pessoa no mundo real, ela te trata como lixo. Ele avisou que é figura pública, que já passou por essa situação em mais de uma ocasião, e que resolveu falar porque está abrindo os olhos de quem ainda não viu o padrão. Decepcionado foi a palavra que ele usou, e não parecia performática.
O tweet do @QGdoPOP com o print estourou rápido, os comentários encheram de gente que diz que já sabia, de gente que ficou em choque, e de fãs de Priscilla tentando apagar o incêndio nos replies. A cantora não apareceu. A assessoria não soltou nota. O áudio continua rodando.
Priscilla fez um movimento de carreira muito calculado nos últimos anos, saindo de um universo gospel conservador para um pop com linguagem mais aberta, mais inclusiva, e esse reposicionamento rendeu muito: plateia nova, cobertura de mídia, musicais no circuito principal. Quando uma voz do próprio meio LGBT diz que essa abertura existe só para o feed, a pergunta que o público vai fazer não é sobre o episódio isolado. É sobre o arco inteiro.
Ela está em cartaz no Susi, num teatro lotado por exatamente as pessoas que Fábio representa. A escolha de não responder é dela, mas o preço dessa escolha quem vai cobrar é a plateia.