Nas últimas semanas as redes sociais foram tomadas por uma discussão acalorada sobre o curso do ator Juliano Cazarré, nomeado como ‘O Farol e a Forja’. O projeto promete abordar temas como masculinidade e cristianismo, porém alguns colegas do artista como Marjorie Estiano e Elisa Lucinda apontaram que a iniciativa reforça discursos de violência de gênero.
Diante do grande debate, entrevistamos o pregador católico e terapeuta, Anderson Reis, que estuda sobre o comportamento masculino, sobre qual a sua opinião sobre o caso. “Uma das iniciativas mais necessárias em nosso tempo. O título “Farol” representa direção — e os homens perderam a direção em sua belíssima vocação, fracassando exatamente onde mais deveriam prosperar: na família”.


Anderson destaca que como terapeuta observa constantemente mulheres reclamando de maridos que se perderam em vícios de jogos, celular e pornografia. “Tenho pacientes cujos esposos começam a jogar às 20h e só param entre duas e três da manhã. Não há diálogo, afeto, cumprimento dos deveres conjugais — quanto menos vida sexual”, afirmou.
Para o terapeuta casos como esses não são isolados. “É uma epidemia silenciosa que destrói famílias por dentro, sem barulho, sem que ninguém perceba até que o estrago já está feito. Um encontro como este, para o homem que estiver aberto à mudança, tem o potencial de produzir uma transformação gigantesca — e quem mais se beneficia não é só ele, mas a esposa e os filhos que tanto precisam de sua presença real”.
Ao longo da carreira de Anderson, que possui vinte e três anos palestrando além dos atendimentos online, ele percebe que há uma raiz para quase tudo: a ausência de uma boa paternidade. “O homem precisava de um pai presente. Precisava crescer num ambiente de exemplo — de bons pais, bons padres, bons amigos que falassem sobre virtude, sobre servir, sobre ideais nobres, sobre família, trabalho e fé. Precisava de alguém que lhe mostrasse o caminho das virtudes enquanto ainda era tempo de aprender”, destacou Anderson.
“Quando isso falta, o homem vai crescendo sozinho. Sem referência. E um homem sem referência não declina de uma vez — ele vai cedendo aos poucos, até chegar num ponto em que não sabe mais quem deveria ser”, completou.
Anderson também destacou que ao procurar ajuda profissional os homens chegam cheio de feridas e que muitas vezes nem consegue nomear. “E o meu trabalho começa aí: ajudá-lo a entrar num processo de reordenação. Ordenar a vida dele para o amor. Curar as feridas da falta de paternidade. E fazer um esforço genuíno — e muitas vezes hercúleo — para inserir nele uma masculinidade verdadeira, que é, na essência, uma masculinidade centrada no amor”.
Uma das teorias de Anderson é que uma masculinidade pautada no amor faz com que os homens não fiquem parados. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida. Ele sai de si mesmo para servir à esposa, para servir aos filhos, para servir à sociedade”.
“Um dos trabalhos que mais faço é ajudá-los a sair dos vícios e a construir uma vida espiritual sólida. Porque quanto mais o homem se afasta de Deus, mais ele se aproxima do seu nada — como diria Santo Agostinho. Então trabalho com ele em três frentes: a vida espiritual, a vida de trabalho e o cumprimento dos seus deveres cotidianos. Não é fácil. Mas quando esse homem muda, tudo ao redor dele muda junto”, afirmou Anderson sobre seu trabalho como terapeuta.
Além de sua abordagem profissional e espiritual, Anderson destaca seu interesse em ajudar outros homens também está sua trajetória de vida. Aos três anos de idade foi abandonado pelo próprio pai e cresceu carregando essa ferida, que segundo ele, abriu portas para outras.
“Sofri abuso sexual diversas vezes, e desenvolvi um vício gigantesco em pornografia. Não tinha interesse por nada além da busca de prazer. O resultado disso foi repetir oito anos na escola e ser expulso de seis delas. Era um homem que vivia nas noites. Cedo já me envolvia com mulheres casadas, frequentava casas de prostituição. Vivia exatamente aquilo que hoje vejo nos homens que chegam destruídos ao meu consultório”, relembrou Anderson.
Uma das pessoas responsáveis por transformar sua vida foi sua mãe. “Minha mãe é muito bondosa e rezou por mim durante quinze anos — tal como Santa Mônica rezou por Agostinho. Ela não desistiu. E a oração dela mudou tudo. Quando me converti, todo o desinteresse que eu tinha pelo estudo se transformou numa fome enorme de conhecimento. Passei a estudar teologia, filosofia, psicologia. Chegava a ler a Bíblia oito horas por dia. Comecei a palestrar, ganhei renome nacional e me tornei missionário itinerante — percorri o Brasil inteiro e estive em oito países levando essa mensagem”.
Hoje Anderson é casado e tem cinco filhos, e afirma ser um homem completamente realizado e feliz dentro da minha vocação. “Conto isso porque sou a prova viva de que — por mais profundas que sejam as feridas da masculinidade, seja o abuso, o abandono, o vício — a graça de Deus somada a uma vontade genuína de mudar pode transformar completamente uma vida”.
“E é exatamente por isso que uso minha história em meus atendimentos Não como vitrine, mas como instrumento. Quando um homem ferido me olha e percebe que eu estive onde ele está, algo se abre nele. E é nessa abertura que o trabalho terapêutico começa”, destacou Anderson.
O que antes era uma ferida, se transformou em força de vontade para fazer diferente ao que seu próprio pai fez. “Hoje sou o marido dedicado e o pai apaixonado que nunca tive. E uso meus canais, meus atendimentos e minha voz para levar a outros homens a mesma mensagem de esperança que um dia chegou até mim”.
Por fim, Anderson revela que não é difícil perceber o declínio que houve na vida dos homens. “Tudo desandou — vício em álcool, dependência de drogas, suicídio, depressão, pornografia, jogos. O que tudo isso nos mostra? Que o homem está profundamente infeliz. Em vez de viver o seu ideal e cumprir a sua vocação no mundo, ele se perdeu. E a consequência disso não fica só nele — são famílias desestruturadas, filhos sem referência, uma bola de neve crescente de destruição que vai passando de geração em geração”.
“Mas eu quero falar diretamente com você, homem que está lendo isso: Você é filho de Deus. Você foi feito para amar de verdade, para ser presença real, para deixar uma marca boa no mundo. Essa é a sua vocação — e ela é linda. Busque a Deus. Insira ordem e disciplina no seu dia. Fuja dos vícios. Ame a sua esposa e os seus filhos. Dedique-se de coração ao seu trabalho. Se estiver há muito tempo afastado da Igreja, comece por uma boa confissão e volte a inserir Deus no seu dia a dia”, completou.
“Não admita ser um homem frouxo, fraco e frustrado. Você foi feito para muito mais. Descubra o seu porquê — porque, como dizia Viktor Frankl, quem tem um porquê suporta qualquer como. E o seu porquê tem nome: é a sua família, é a sua fé, é a vida maravilhosa que Deus lhe deu. Viva-a com toda a alegria do mundo. Se puder indicar o meu trabalho como terapeuta e as minhas redes eu agradeço muito”, concluiu.
Serviço:
Para agendar uma consulta com Anderson Reis: (11) 98730-1116 – secretária Thaís Reis
Instagram: @andersonpregador
YouTube: Anderson Reis oficial