Eu estava no jardim do Museu Imperial em Petrópolis, daqueles projetados pra impressionar imperador, perdida no meio de mais de cem espécies de árvore e umas flores que parecem maquiadas, quando o celular começou a tremer na minha mão. Era uma chamada de vídeo da minha amiga Solange, que tem parente no Agreste de Pernambuco e estava com a cara vermelha de indignação do outro lado da tela. Larguei a contemplação botânica na hora, porque prefeito putaço com cantor sertanejo vale mais que orquídea rara pra esta colunista.
O caso é o seguinte. Gusttavo Lima furou o show que faria neste sábado, dia vinte e sete, em Surubim, no Agreste pernambucano, depois de já ter remarcado uma vez essa mesma apresentação. O prefeito Cléber Chaparral não engoliu, subiu ao palco diante do público abandonado e exigiu a devolução dos mais de um milhão e trezentos mil reais que a Prefeitura já tinha pagado pelo cachê.
Pra quem chegou agora nessa novela junina, deixa eu rebobinar a fita. Lá no comecinho de junho o cantor já tinha cancelado uma penca de shows em Pernambuco e no Ceará alegando que não queria a imagem dele colada numa marca de aposta, recuou, remarcou Surubim, e agora sumiu mais uma vez botando a culpa em problema de saúde e prometendo remarcar de novo. O dinheiro público do milhão e trezentos, esse já tinha caído na conta da produtora bem antes de o moço dar para trás.
E não foi um chilique qualquer, foi performance de palco com microfone na mão. O Chaparral chamou o cantor de ladrão do dinheiro do povo e mandou o Gusttavo ser homem, pegar e devolver logo a grana de Surubim que ele nem precisa, porque rico do jeito que é tem até pra emprestar. O vídeo correu o Brasil, o comprovante de transferência apareceu nas redes e a internet inteira virou júri popular do arraial.
Eu, que já vi muito barraco de prefeitura, confesso que esse tem tempero especial, com direito a palanque e plateia carente de forró. O Gusttavo que se cuide, porque calote de São João o nordestino não perdoa, e prefeito ofendido na frente do eleitorado vira leão de pijama. Fica aqui a minha saideira: em ano de eleição, devolver cachê furado pode sair bem mais barato que encarar a fúria de um arraial traído.