Meus amores, sentem que a fofoca dessa vez veio do litoral catarinense e é do tipo que faz incorporador paulista engasgar com o espumante. Porto Belo, uma cidadezinha de pouco mais de 27 mil habitantes, é líder estadual em lançamentos imobiliários pelo terceiro ano seguido, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica. Vinte e sete mil habitantes, gente. Tem prédio residencial em São Paulo com fila de espera maior que isso.
Vamos aos números, que é onde a novela fica boa. Em 2025 a cidade registrou 12,2 mil unidades lançadas, acima de Florianópolis, que é a capital do estado, e alcançou R$ 15,6 bilhões em Valor Geral de Vendas, o melhor desempenho desde 2024. Esse montante representa quase 20% dos R$ 81,7 bilhões lançados na cidade de São Paulo no mesmo período, segundo o Secovi-SP. Em 2026 a liderança estadual continua, com 2.568 imóveis lançados e R$ 3,4 bilhões em VGV. A caçula do litoral está disputando espaço com as maiores da festa e ainda dançando melhor.

E a treta com as vizinhas ricas é deliciosa. Entre 2022 e 2026 o município soma 38 mil unidades lançadas, volume superior ao de mercados consolidados como Florianópolis, Itajaí e Balneário Camboriú, praças que aparecem entre os metros quadrados residenciais mais caros do país no ranking FipeZap. Em VGV acumulado no mesmo período, Porto Belo fica atrás apenas de Itapema, a cidade mais valorizada do Brasil hoje, e olha que é por pouquinho: R$ 45,5 bilhões contra R$ 46,9 bilhões da vizinha. Empate técnico de novela das nove, com a mocinha do interior encostando na patroa.
Quem colocou nome e sobrenome na análise foi Jordan Hang, estrategista de marketing, fundador da JH Marketing e, sim, primo do dono das lojas azuis, o Luciano. A empresa dele administra mais de R$ 6 bilhões em lançamentos imobiliários no Sul do Brasil, então o rapaz não fala de ouvido. Segundo ele, Porto Belo e o litoral norte catarinense vivem um momento sólido não apenas de lançamento mas de liquidez, com empreendimentos que vendem 100% das unidades antes da entrega, valorização consistente e demanda firme mesmo com crédito mais seletivo. Traduzindo do faria-limês: o produto sai da prateleira antes de a prateleira ficar pronta.
Só que ele mesmo já avisou onde mora o perigo, e essa parte eu grifei. Hang diz que numa região com tanta oferta não basta lançar, é preciso posicionar o produto, construir percepção de valor, estruturar a operação comercial e entregar segurança ao comprador, porque o mercado está mais profissional e quem não tiver estratégia perde velocidade de venda mesmo em praça aquecida. Ou seja, a festa está boa, mas já tem gente demais no salão e o DJ está reparando em quem só sabe uma coreografia.

Tem também o efeito colateral bonito de contar. Além da expansão residencial, Porto Belo vem atraindo projetos de saúde, infraestrutura, serviços e turismo, movimento que aumenta a sensação de segurança para investidor e incorporadora. No primeiro trimestre de 2026 a cidade apareceu como líder fora das capitais no ranking nacional de demanda imobiliária de alto padrão, o IDI Brasil, ocupando a 7ª colocação geral. E a própria JH Marketing fechou o trimestre com R$ 150 milhões em ativos comercializados só entre Itajaí e Porto Belo, administrando R$ 600 milhões em lançamentos previstos para o ano.
Enfim, minhas queridas, a Barbie do litoral catarinense está com a agenda cheia e o cofre transbordando enquanto capital grande assiste da arquibancada. Vou ficar de olho no dia em que essa mesma tabela mostrar unidade encalhada, porque aí sim a coluna vai ter assunto para o inverno inteiro.