Eu estava aqui na Costa Amalfitana olhando pro mar quando Janus de Macedo, presidente do Anffa Sindical, me ligou com uma história que eu juro que não estava esperando para uma quinta-feira de manhã. Porcos-espinhos africanos desembarcando em Guarulhos. Cangurus em março. Hienas. Raposas.
O aeroporto internacional de São Paulo virou, discretamente, o ponto de entrada de uma fauna que a maioria das pessoas só conhece pelo Animal Planet.
A operação mais recente envolveu quatro porcos-espinhos-africanos vindos de um zoológico na França, duas fêmeas e dois machos, destinados ao Zoológico de São Paulo. Eles chegaram em caixas individuais preparadas para garantir bem-estar durante o transporte e foram submetidos à fiscalização sanitária ainda na manhã do desembarque. O processo incluiu identificação por microchip, avaliação de saúde, verificação de documentação emitida pelo país de origem, cumprimento do período mínimo de isolamento antes do embarque e controle de parasitas. Nada entra sem passar por esse filtro.
Em março, o mesmo aeroporto recebeu um grupo de cangurus-vermelhos provenientes dos Estados Unidos, um macho e três fêmeas, pelo mesmo protocolo. O auditor fiscal federal agropecuário Luiz Carlos Teixeira de Souza Junior, que acompanhou a operação dos porcos-espinhos, explica que esses picos de importação costumam ocorrer quando zoológicos estão em fase de estruturação de espaços ou expansão de acervos. O Aquário de São Paulo e o Zooparque Itatiba são exemplos recentes de empreendimentos que concentraram esse tipo de movimentação.
O que o Anffa Sindical quer que o público entenda é que essa fiscalização não é exceção, é rotina. Cargas vivas entram no Brasil todos os dias por portos, aeroportos e fronteiras, e os auditores fiscais federais agropecuários são a primeira barreira sanitária do país. A missão é a mesma independente da espécie: evitar a entrada de doenças que possam comprometer a saúde animal, a produção agropecuária e a segurança alimentar.
A veterinária responsável pelo Zoológico de São Paulo, Maria Fernanda Gondim, reforça que o protocolo começa no país de origem e termina no desembarque, com equipes integradas que já conhecem os animais e reduzem o tempo de liberação. Do porco-espinho ao canguru, o processo é o mesmo. Guarulhos, nesse sentido, é muito mais do que um aeroporto.