Menina, senta que a história é grande e o pagode também. O que começou como uma roda simpática virou um império comandado por Thiaguinho, aquele mesmo que canta sorrindo enquanto faz conta de gente grande. A Tardezinha cresceu, ocupou estádios, tomou autódromos, atravessou oceanos e passou a mexer com cifras que muita empresa tradicional sonha em alcançar.
Em dez anos, a conta fechou alto. Mais de R$ 1,5 bilhão em faturamento acumulado, quase um milhão de pessoas só em 2025 e o título informal de maior turnê da história da música brasileira.
Nos bastidores, nada de improviso. A Tardezinha virou operação pesada. Só em 2025, movimentou centenas de milhões, passou por dezenas de cidades dentro e fora do país e gerou mais de cem mil empregos ao longo da estrada. Bilheteria lidera a receita, seguida por bares, patrocínios e outras frentes que incluem cerveja própria, parcerias educacionais e produtos licenciados.
Essa virada aconteceu depois que a gestão mudou de patamar. A entrada de uma CEO colocou Thiaguinho diante dos números de verdade. Quantos shows fazer, quanto custa cada praça, onde dá pra crescer, onde é melhor segurar. Hoje, ele é tratado como líder de um conglomerado de entretenimento ao vivo, com visão clara de marca, expansão internacional e formação de novos públicos.
E não é só palco lotado. Tem impacto social no pacote. Nas vielas do Complexo da Penha, no Rio, nasceu a Escola Tardezinha de Música, projeto gratuito que oferece aulas presenciais de canto, cavaquinho, violão e percussão para crianças e adolescentes. Tudo em parceria com a Central Única das Favelas. Na inauguração, Thiaguinho apareceu ao lado do pai, viu os alunos se apresentarem e deixou claro que a música abriu portas pra ele e pode abrir pra outros também.
A marca ainda puxa arrecadação de alimentos em larga escala, apoia projetos culturais e sustenta um discurso que mistura festa com responsabilidade social. No telão dos shows, imagens da escola aparecem entre uma música e outra, lembrando que o pagode também financia educação, cultura e chance de escolha.
Depois da edição de dez anos, a Tardezinha anunciou uma pausa até 2028. Não é sumiço, é ajuste de rota. O projeto agora conversa com ensino, turismo, consumo e impacto social de forma integrada. No palco, Thiaguinho costuma agradecer e soltar que o pagode chegou onde sempre mereceu. Fora dele, o império segue girando, com cifras altas, batida conhecida e um pandeiro que já vale ouro.