A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu Allan Christian Rocha de Oliveira, de 37 anos, enquanto ele trabalhava como figurante em uma gravação de produção bíblica da Record, nos estúdios de Vargem Pequena, na zona oeste da capital. Segundo a corporação, ele foi condenado definitivamente por estupro de vulnerável e tinha mandado de prisão expedido pela Justiça.
Eu já fazia com minhas amigas a última caminhada pela beira do Tejo antes de a gente começar a volta para Sintra, quando li essa história. E aqui não há espaço para achar curioso o cenário de TV: o que importa é que uma ordem judicial foi cumprida e que violência sexual contra vulnerável precisa ser tratada com a seriedade absoluta que exige.

De acordo com a Polícia Civil, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital chegaram ao local após trabalho de inteligência e monitoramento. O mandado foi expedido pela Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio, para o cumprimento de oito anos restantes de reclusão em regime semiaberto.
A prisão ocorreu na manhã de segunda-feira, quando o figurante estava em atividade no complexo de estúdios. Após a abordagem, ele foi levado para a sede da delegacia e ficou à disposição da Justiça.
A defesa de Allan Christian contestou a legalidade da prisão. O advogado Rennan de Abreu afirmou que havia recurso apresentado contra a decisão e sustentou que o cliente não estava foragido, além de alegar possíveis erros no mandado. O processo tramita sob segredo de Justiça, segundo o defensor.

Eu fico pensando que, em casos assim, é preciso separar tudo com muito cuidado: existe a condenação e o mandado informados pela polícia, existe o direito da defesa de questionar atos processuais, mas nada disso diminui a gravidade de um crime que atinge justamente quem deveria estar mais protegido.
A Record informou que os estúdios das produções bíblicas ficam sob responsabilidade da produtora Seriella. A emissora e a empresa foram procuradas para comentar o caso, mas não esclareceram qual produção estava sendo gravada no momento da prisão.
Não é uma pauta para gracejo, nem para transformar em cena de novela. É uma prisão decorrente de condenação, em um caso de violência sexual, e a prioridade precisa permanecer onde ela sempre deveria estar: na responsabilização e na proteção de vítimas vulneráveis.