Eu estava na academia, malhando com a seriedade de quem pretende ficar linda, bela e chiquérrima como Pitty, quando abri a Marie Claire de setembro. Pronto. A esteira continuou andando e eu emocionalmente fiquei parada. Porque Pitty resolveu falar de vida adulta daquele jeito que não cabe em frase motivacional de academia.
Aos 48 anos, a cantora é destaque da edição e aparece poderosa em ensaio fotografado por Jorge Daux. Mas o que me pegou mesmo foi a entrevista. Prestes a lançar seu primeiro álbum de inéditas em sete anos, ela falou sobre as mudanças que atravessaram sua vida pessoal e profissional e, principalmente, sobre o fim de seu casamento de 19 anos.

Pitty contou que a separação aconteceu de maneira tranquila e que os dois continuam amigos e ligados pela criação da filha. E soltou uma daquelas frases que dão vontade de interromper o exercício e mandar no grupo das amigas: “O pior é insistir no que não está mais fluindo.”
É isso. Pode aplicar em casamento, amizade, emprego, carreira e até naquele aparelho da academia que você odeia e finge que não viu. Segundo ela, existem coisas que precisam partir para que outras possam chegar. Não houve, pelo relato apresentado pela revista, discurso de guerra ou exposição da intimidade. Houve uma mulher falando sobre encerramento de ciclo.
E a conversa não ficou restrita à vida amorosa. Depois de mais de duas décadas de carreira nacional, Pitty também falou sobre o peso de ser mulher dentro do rock. Disse que, no início da trajetória, precisou criar uma espécie de “armadura” para ser escutada e não tratada como um bibelô num ambiente marcado pela masculinidade.
Quando o assunto chegou à idade, gostei mais ainda. Pitty rejeitou a ideia de que o número na certidão determine como uma mulher deve se comportar. Disse que tem uma alma que não corresponde à idade cronológica e resumiu com uma frase de Elza Soares: “Tenho a idade de quem conversa comigo.”

Eu, que tinha entrado na academia pensando em músculo, saí pensando em desapego. Pitty está chegando aos 50 sem pedir licença para envelhecer, mudar de ideia, terminar uma relação, começar outra fase profissional ou continuar sendo exatamente a mulher que quiser.
E chiquérrima. Porque maturidade sem virar palestra de LinkedIn é para poucas.